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Chevron resiste à adoção de política climática, diz acadêmica

Kevin Crowley

(Bloomberg) -- Depois que a Exxon Mobil se curvou à pressão dos investidores e divulgou os efeitos das mudanças climáticas em seus negócios, a concorrente americana Chevron passou a ser a única grande petroleira que ainda não se comprometeu com uma análise do tipo, segundo uma acadêmica do Council for Foreign Relations (CFR, na sigla em inglês).

A postura pode mudar em breve com o CEO nomeado Mike Wirth, que deverá assumir a liderança da terceira maior petroleira de capital aberto do mundo em fevereiro no lugar de John Watson, que ocupou o cargo por quase oito anos.

"Das grandes empresas de energia com capacidade para uma avaliação do tipo, a Chevron é a única que ainda não adotou o processo", disse Amy Myers Jaffe, pesquisadora sênior especializada em política energética do CFR, por telefone.

A Chevron divulgou um estudo em março em que afirma que seus processos de gerenciamento de risco atuais são "suficientes" para mitigar os riscos gerados pelas mudanças climáticas e que a exposição da empresa aos limites dos gases causadores do efeito estufa era "mínima" e gerenciável ao longo do tempo. Os investidores Hermes e Wespath Investment Management retiraram proposta feita na assembleia anual da Chevron deste ano, que solicitava uma avaliação anual dos impactos das mudanças climáticas, para dar mais tempo à empresa para elaborar uma nova política de divulgação.

A empresa "oferece uma visão abrangente a respeito de como a Chevron gerencia possíveis riscos climáticos", disse uma porta-voz, por e-mail, em referência ao relatório de março. "Acreditamos que os processos de gerenciamento e planejamento de risco da Chevron estão gerenciando com eficácia a possível exposição atual da empresa ao risco."

Outra grande petroleira, a Exxon, cedeu a uma proposta similar de acionistas ao publicar as "sensibilidades de demanda de energia, implicações de cenários com mais 2 graus Celsius e posicionamento para um futuro de baixo carbono", afirmou a empresa de exploração com sede no Texas, EUA, na segunda-feira.

A mudança de direção é bem-vinda em uma empresa conhecida por não mudar de postura facilmente, segundo Andrew Logan, diretor de petróleo e gás da Ceres, uma coalizão de investidores institucionais com atuação em questões ambientais.

Outras grandes petroleiras começaram a tomar medidas estratégicas com base em suas análises do risco climático, disse Jaffe. A Royal Dutch Shell planeja investir até US$ 1 bilhão por ano em sua divisão de novas energias, a Total está investindo em unidades de armazenamento em baterias e a BP pretende obter 60 por cento de sua produção do gás, não do petróleo.

"Estou otimista quanto ao potencial da Chevron de tomar uma nova direção frente às mudanças climáticas", disse Logan. "Pelo que sabemos, o próximo CEO tem um ponto de vista bastante diferente em relação a isso."

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