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Fabricantes chinesas vão atacar Apple em seu próprio território

Mark Gurman, Gao Yuan, Scott Moritz e Selina Wang

15/12/2017 12h00

(Bloomberg) -- As principais fabricantes de smartphones da China estão prontas para enfrentar a Apple em seu próprio território depois de terem derrotado a fabricante do iPhone no mercado chinês.

A Huawei Technologies e a Xiaomi estão negociando com operadoras de telefonia móvel dos EUA a venda de smartphones de ponta aos consumidores americanos já no próximo ano, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. As fabricantes estão negociando com operadoras como AT&T e Verizon Communications, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque o assunto é privado. As conversas ainda estão fluindo e é possível que nenhum acordo se materialize, disseram.

A Apple tem muito em jogo nos EUA, onde é a principal fabricante de smartphones. Nos últimos anos, a companhia se isolou da concorrência graças ao forte apoio das operadoras, que costumavam subsidiar seus caros aparelhos iPhone e diminuir o preço inicial para os clientes. Esses subsídios e descontos desapareceram à medida que as operadoras passaram a financiar aparelhos, dividindo os custos ao longo de dois anos.

A Huawei já tentou vender seu aparelho Mate 9 nos EUA através de sites de comércio eletrônico, como Amazon.com, mas trabalhar diretamente com as operadoras daria à maior fabricante de telefones da China uma presença mais ampla em todo os EUA através de lojas de varejo, sites das operadoras e comerciais de TV. A Huawei está negociando para vender uma linha de aparelhos de ponta através de operadoras dos EUA, mas a empresa chinesa também pretende vender o dispositivo Mate 10 através de canais de comércio eletrônico, disseram as pessoas.

Wang Xiang, executivo da Xiaomi, disse que a empresa pretende lançar telefones nos EUA dentro de dois anos, mas observou que o processo de trabalhar as especificações com cada operadora é demorado. A Xiaomi também analisa abrir lojas de varejo nos EUA para construir sua marca e vender seus monitores de atividades físicas, termostatos e aspiradores de pó antes de lançar um telefone, disse ele. Esses produtos já estão vendidos pela internet nos EUA. Verizon, AT&T e Huawei preferiram não comentar.

As fabricantes chinesas de celulares estão de olho no mercado americano em um momento oportuno. As operadoras dos EUA estão cortando subsídios e os consumidores cada vez mais pagam o preço total, em alguns casos, mais de US$ 1.000, por telefones de ponta. As rivais chinesas costumam vender aparelhos muito mais baratos. O modelo Mate 9, da Huawei, estava à venda na Amazon.com por US$ 400 na quinta-feira.

O mercado de telefonia dos EUA é dominado pela Apple e pela Samsung Electronics. Como a maioria dos telefones é comprada através de operadoras, é quase impossível que uma fabricante conquiste uma participação significativa no mercado sem o apoio da AT&T ou da Verizon, as duas maiores operadoras de redes sem fio dos EUA.

A Apple considera que a China é um de seus mercados mais importantes, mas as vendas têm caído nos últimos anos. A Apple vendeu 8,8 milhões de unidades de iPhone no terceiro trimestre na China, menos que Huawei, Oppo, Vivo e Xiaomi, estimou a IDC no mês passado. Isso dá à Apple pouco menos de 8 por cento do mercado chinês de smartphones, em comparação com pouco mais de 33 por cento para a Huawei e a Xiaomi combinadas, de acordo com o relatório da IDC.

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