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Semana ruim para tecnologia na Europa indica problemas em 2018

Adam Satariano

20/12/2017 15h01

(Bloomberg) -- As últimas 36 horas reforçaram o papel da Europa de perseguidora mais implacável das gigantes da tecnologia dos EUA.

Com uma série de anúncios, órgãos reguladores de todo o continente sinalizaram a continuidade do escrutínio ao Vale do Silício no ano que vem. Nesta quarta-feira, a mais alta corte da União Europeia decidiu que a Uber deve ser regulada como serviço de transporte, um revés para as tentativas da empresa de driblar as regras aplicadas aos táxis e as exigências de licenciamento.

A decisão surge após declarações duras de órgãos reguladores alemães e franceses na terça-feira. Andreas Mundt, principal regulador da concorrência na Alemanha, que fez carreira combatendo os cartéis de cerveja e de salsicha, atacou o Facebook pelo suposto uso indevido de dados dos usuários pela empresa. Do outro lado da fronteira, o órgão regulador da privacidade da França gerou mais dor de cabeça ao Facebook ao dar um mês para que o aplicativo de mensagens WhatsApp deixe de compartilhar dados com sua empresa controladora.

Na sexta-feira passada, autoridades italianas já haviam ordenado o pagamento de 100 milhões de euros (US$ 118 milhões) pela Amazon.com para encerrar uma investigação sobre evasão fiscal.

Os anúncios fecham um ano em que as autoridades europeias travaram batalhas com as maiores empresas de tecnologia do Vale do Silício. Entre os conflitos mais notáveis estão o da Apple com a Irlanda por uma decisão de 2016 para pagamento de US$ 15 bilhões em impostos atrasados; o do Google, pertencente à Alphabet, que recebeu uma multa recorde de US$ 2,8 bilhões relacionada a anúncios de compras; e o do Facebook, do Twitter e do YouTube, que enfrentam investigações pela disseminação de conteúdos extremistas e discursos de ódio.

Talvez o exemplo mais duro da crescente desconfiança da Europa em relação às grandes empresas de tecnologia tenha surgido em setembro, quando a comissária de Justiça da UE, Vera Jourová, classificou a rede social do Facebook como "uma estrada para o ódio" e revelou que deletou sua conta na rede social.

O ano de 2018 não deve ser melhor para essas empresas. Há algumas batalhas previstas para o ano que vem:

- O Google enfrenta mais punições antitruste relacionadas ao domínio do software para celulares Android nas publicidades on-line;

- Um tribunal decidirá se a Uber deve perder sua licença de táxis em Londres, o maior mercado da empresa na Europa;

- O Facebook enfrentará, além do escrutínio antitruste maior, mais pressão para reprimir informações incorretas e outros conteúdos nocivos na plataforma, a exemplo do Twitter e do YouTube;

- Entrarão em vigor novas regras de privacidade em 2018 que darão aos órgãos reguladores de cada país europeu mais autoridade para multar empresas de tecnologia por coleta indevida ou compartilhamento indevido de informações dos usuários.

Os defensores das regulações afirmam que a Europa está oferecendo um controle muito necessário ao poder das empresas globais de tecnologia e os defensores do setor afirmam que as medidas prejudicam a tentativa da região de produzir empresas de tecnologia com influência global.

"Este é um revés para a ambição da UE de construir um mercado digital integrado único", afirmou a Associação da Indústria de Computadores e Comunicações (CCIA, na sigla em inglês), nesta quarta-feira, após a decisão sobre a Uber.

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