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Shell aposta no gás, mas vazamentos afetam potencial ecológico

Kelly Gilblom

20/12/2017 14h28

(Bloomberg) -- Depois de investir US$ 50 bilhões na maior aposta mundial no gás natural, a Royal Dutch Shell está na linha de frente dos esforços das grandes empresas de petróleo para limpar suas operações. Mas e se os constantes e insidiosos vazamentos de gás na atmosfera na verdade tornarem o combustível mais poluente que o carvão?

O metano, principal componente do gás natural, pode chegar ao ar em vários pontos entre a extração e a entrega. Como retém mais calor que o dióxido de carbono, o metano contribui fortemente para o aquecimento global. Apesar disso, informações confiáveis a respeito dos volumes lançados são escassas, o que está gerando pressão dos investidores.

"O assunto é muito importante", disse Tim Goodman, diretor da gestora de ativos Hermes EOS, que exortou as petroleiras a tratarem de assuntos climáticos nos balanços trimestrais. "Quanto menos metano se perde para o meio ambiente, menos sujo será o metano e o gás natural e, dessa forma, o gás poderia vir a ser um combustível viável por mais tempo."

No ano passado, a Shell comprou a BG Group por US$ 54 bilhões e intensificou o foco no gás. O combustível emite metade do CO2 do carvão na queima, mas basta um escape 3,5 por cento de metano para que ele se torne mais poluente que o carvão, segundo a Shell. A empresa reconheceu que seus dados sobre vazamentos precisam mudar se a empresa deseja acalmar autoridades e acionistas em um momento em que as energias alternativas mais ecológicas e cada vez mais baratas estão atraindo os investidores em todo o mundo.

Esta é "uma questão muito importante -- qual a força real do potencial ecológico do gás natural se considerado o escape de emissões de metano?", disse o CEO da Shell, Ben van Beurden, em novembro. "Estamos fazendo todo o trabalho necessário para descobrir."

Empresas de energia de todo o mundo enfrentam uma pressão crescente dos investidores para enfrentar os riscos climáticos e divulgar os efeitos das regulações ao carbono sobre seus negócios. A Exxon Mobil, maior empresa de exploração em valor de mercado, mudou de postura e afirmou na semana passada que começará a publicar análises do tipo. A medida foi anunciada depois que os acionistas fizeram uma votação para pressionar por uma divulgação mais detalhada sobre o assunto.

Dados incertos

Vazamentos desconhecidos e práticas como a ventilação para a atmosfera provavelmente representem 70 por cento das emissões de metano do setor de petróleo e gás, segundo a Agência Internacional de Energia. Apesar de muitas grandes empresas relatarem o quanto acreditam que emitem, não existe uma metodologia consistente, e a AIE mostra incerteza em relação aos dados.

Os vazamentos de metano não são um problema novo, mas chamam cada vez mais atenção porque o gás é promovido como combustível de "transição" no caminho global rumo a uma matriz energética mais limpa. A expansão da produção de gás de xisto dos EUA, país onde a Shell detém interesses nas bacias Marcellus e Permiano, também deu mais urgência a que as emissões reportadas sejam mais confiáveis.

--Com a colaboração de Rakteem Katakey

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