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Aliança do petróleo entre Opep e Rússia pode durar além de 2018

Elena Mazneva, Wael Mahdi, Grant Smith e Annmarie Hordern

22/01/2018 13h08

(Bloomberg) -- A Opep e a Rússia reafirmaram que vão manter os cortes de produção do petróleo até o final do ano para acabar com um excesso global e sinalizaram que estão dispostas a cooperar além desse prazo.

A Rússia está pronta para continuar cooperando com a Opep e sua líder de facto, a Arábia Saudita, mesmo depois que os cortes expirem, disse o ministro da Energia, Alexander Novak, em entrevista à Bloomberg Television com seu par saudita. Os produtores devem conservar os limites à produção até 2018, e o mercado poderia se equilibrar no final do ano ou em 2019, disse o ministro saudita da Energia, Khalid Al-Falih. Nenhum dos dois ministros disse se os cortes continuariam em 2019.

"Os dois maiores países produtores e exportadores de petróleo do mundo podem dar continuidade à sua cooperação pelo bem do setor de petróleo, pelo bem de estabilidade", disse Novak em Mascate, Omã. O mercado do petróleo ainda não está totalmente equilibrado, mas os ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e de produtores aliados concordaram no domingo em Mascate que o pacto de cortes está funcionando, disse ele.

Demanda leve

Ministros do Petróleo de vários membros da Opep, incluindo a Arábia Saudita, se reuniram com seus pares russo e omani para avaliar a adesão ao acordo de cortes que expira no final do ano. A Arábia Saudita e a Rússia estão orquestrando a iniciativa para reduzir a produção a fim de drenar estoques e dar apoio aos preços. Embora o petróleo bruto Brent de referência tenha subido 2,9 por cento neste mês, a produção de petróleo dos EUA deve registrar um forte crescimento neste ano com a recuperação dos preços, afirmou a Agência Internacional de Energia na sexta-feira.

A demanda leve de petróleo prevista para o primeiro semestre levou os ministros a considerar cortes durante o ano inteiro, disse Al-Falih. Eles concordaram em cooperar também depois do final deste ano, mas não definiram um mecanismo para essa cooperação, disse ele.

"À medida que nos aproximarmos do reequilíbrio por volta do final de 2018, precisaremos estender a estrutura, mas não necessariamente nos níveis de produção", disse Al-Falih. O excesso de estoques de petróleo diminuiu em 220 milhões de barris, de um nível de 340 milhões de barris no início de 2017, disse ele. "Não sabemos com certeza se a redução do estoque continuará no mesmo ritmo nos próximos meses."

A Rússia concordou em dar continuidade à cooperação com a Opep, mesmo sem reduzir a produção, se isso ajudar a respaldar o mercado, disse Novak na entrevista. Os ministros precisarão ver como o mercado avançará antes de decidir se há necessidade de ajustar os limites à produção, disse ele a jornalistas anteriormente.

Embora nem Novak nem Al-Falih sejam o árbitro final da política do petróleo de seus respectivos países, essa parceria ajudou a estabelecer um período sem precedentes de cooperação entre russos e sauditas, que está mudando o mercado global de petróleo e a geopolítica de energia. O acordo global de cortes, aliado à demanda robusta, ajudou a elevar o petróleo bruto ao patamar mais alto em três anos, perto de US$ 70 por barril. O Brent subia 0,3 por cento, para US$ 68,83 o barril, às 8h24 em Dubai.

--Com a colaboração de Hussein Slim

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