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Apoio do YouTube a músicos tem um porém: Fontes

Lucas Shaw

(Bloomberg) -- O YouTube pediu que os músicos concordem em não desacreditar o serviço de streaming de vídeo em troca de apoio promocional, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, uma maneira de sufocar as persistentes críticas feitas por artistas.

Nos últimos meses, o YouTube concedeu a um punhado de músicos algumas centenas de milhares de dólares para produzir vídeos e promoveu as obras deles em outdoors, parte de uma campanha maior para melhorar o relacionamento do site com a indústria musical.

No entanto, esse apoio vem com um porém, porque alguns músicos tiveram que prometer que não vão dizer coisas negativas sobre o YouTube, disseram as pessoas, que pediram anonimato ao falar sobre transações comerciais privadas. Os acordos de não depreciação são comuns nos negócios, mas não são exigidos pelos maiores concorrentes diretos do YouTube na música, disseram as pessoas.

Os acordos de não depreciação do YouTube vão além da exigência de não criticar o site de vídeo, disse uma das pessoas, sem entrar em detalhes. O YouTube exige que muitos parceiros aceitem tais condições, incluindo criadores que fazem séries originais para seu serviço pago, disse a pessoa.

O YouTube tomou precauções extras nos acordos recentes devido a um incidente com o diretor Morgan Spurlock. Spurlock pegou o YouTube de surpresa quando admitiu em dezembro condutas sexuais impróprias apenas três meses depois de a empresa ter adquirido o direito de lançar seu último filme, uma continuação do documentário "Super Size Me - A Dieta do Palhaço", indicado para o Oscar.

O YouTube tem mais motivos para se preocupar com os comentários públicos dos artistas do que a maioria das empresas. Compositores e artistas atacaram o site pelo que eles veem como uma partilha insuficiente de receitas e poucas proteções contra a pirataria. Dezenas de músicos assinaram uma petição em 2016, repreendendo os serviços gratuitos de música e pressionando o Congresso dos EUA para tornar o YouTube mais responsável pelo policiamento de violações de direitos autorais.

Executivos seniores do YouTube criticaram a carta e insistiram, em privado, que artistas e representantes apoiem a empresa. Músicos como Paul McCartney e Taylor Swift só assinaram a carta a pedido das gravadoras, que buscavam condições melhores nas negociações, disseram pessoas a par do assunto na época. A empresa também rebateu críticas afirmando ter pagado mais de US$ 1 bilhão à indústria musical e reforçou o policiamento de materiais que violem os direitos autorais.

Em dezembro de 2016, o site de vídeo, de propriedade do Google, da Alphabet, contratou o executivo de gravadoras Lyor Cohen para melhorar sua relação com a indústria musical. Cohen foi uma escolha polêmica, mas o YouTube fez as pazes o suficiente para assinar acordos de longo prazo nos últimos meses com as três maiores empresas de música do mundo.

Os acordos deram ao YouTube os direitos necessários para criar um serviço pago de música, que a companhia pretende lançar ainda neste ano. A empresa espera que a nova oferta cale as queixas das gravadoras sobre seus pagamentos ao setor. Se o serviço não conseguir atrair assinantes, é improvável que essas gravadoras fiquem em silêncio - independentemente de que seus artistas possam falar ou não.

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