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Meirelles: Ausência de Lula abre espaço para candidato do centro

Vivianne Rodrigues

25/01/2018 14h29

(Bloomberg) -- O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a provável ausência de Luiz Inácio Lula da Silva abre espaço para mais candidatos do centro e de outros espectros políticos na eleição presidencial de 2018. "Parece que Lula não conseguirá concorrer", afirmou em entrevista à Bloomberg TV, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região na quarta-feira, o que enquadra o ex-presidente na Lei da Ficha Limpa e dificulta sua candidatura. "Evidentemente há um impacto porque uma substituição pode não ser tão popular nem ter a mesma intenção de votos que ele possui", disse o ministro.

Meirelles não entrou no mérito da decisão, mas afirmou que o sistema judicial precisa ser respeitado e que politicamente quanto mais candidatos, melhor. Ele reiterou que decidirá sobre sua própria candidatura à presidência em abril, pois agora está com o foco voltado para o ministério da Fazenda. Nesta semana, Meirelles estreou sua conta no Facebook, ampliando a atuação nas redes sociais, onde já está presente pelo Twitter.

Para o ministro, o atual patamar do câmbio não traz preocupação para o crescimento econômico atualmente em curso. O dólar despencou para abaixo de R$ 3,14 na quarta-feira após a condenação de Lula, no menor patamar desde outubro do ano passado. Meirelles aponta que o principal condutor da atividade é o consumo doméstico, que está crescendo. O governo trabalha com previsão de alta de 3% do PIB neste ano.

Do ponto de vista fiscal, Meirelles disse que a arrecadação deve surpreender positivamente, o que dispensa a necessidade de aumento de impostos. Segundo ele, o governo considera medidas para o controle de gastos.

Apesar das dificuldades no Congresso, o ministro acredita que a reforma da Previdência pode ser aprovada em fevereiro. "Há um melhor entendimento no país e no Congresso sobre a reforma. Está claro que estamos propondo um sistema mais justo. e que beneficiará pessoas de mais baixa renda."

O adiamento da reforma foi o motivo apontado pela agência de risco S&P para o rebaixamento da nota do país no início do ano. Para que o Brasil volte a ter a nota elevada, será necessário fazer as mudanças na Previdência, além de garantir o crescimento econômico, como a própria S&P apontou, disse Meirelles.

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