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Elite em Davos prevê fusões no setor bancário europeu

Elisa Martinuzzi, Ruth David e Stephen Morris

(Bloomberg) -- Há justificativas de sobra para a fusão de alguns dos maiores bancos da Europa.

É esta a opinião de muitos executivos do setor financeiro que se encontraram na semana passada no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Uma década depois da crise, algumas das maiores instituições financeiras do continente enfrentam queda na receita diante dos juros próximos dos menores níveis históricos, enquanto despesas jurídicas e exigências de capital corroem os lucros.

A junção de operações de banco de varejo pode conter os custos e afastar a concorrência representada por startups de tecnologia financeira. As instituições mais expostas a negócios voláteis, como a negociação de ativos financeiros, que consomem mais capital, podem elevar taxas de retorno por meio de diversificação e trazendo atividades mais estáveis e que proporcionam margens maiores.

Alguns líderes do setor bancário relatam que as autoridades reguladoras da Europa estão começando a aceitar a ideia das fusões, alimentando especulações de que tais acordos podem sair em breve, mesmo se não acontecerem em 2018.

Outros afirmam que, com as exigências maiores de capital impostas aos maiores bancos, essas combinações ainda são improváveis. Unir duas culturas diferentes de banco de investimento já se provou difícil no passado e os preços tornam alguns alvos nada atraentes para uma eventual aquisição.

A Bloomberg News entrevistou 10 líderes do setor bancário que falaram reservadamente sobre os acordos que fazem sentido estratégico. A maioria afirmou que o Commerzbank deve ser comprado. Outros afirmam que o comprador mais provável seria o BNP Paribas.

BNP Paribas - Commerzbank

O maior banco da França conseguiu encerrar a última década sem prejuízo anual. Enquanto concorrentes reduziram as atividades de banco de investimento, o BNP ampliou sua participação de mercado.

O presidente do banco, Jean-Laurent Bonnafe, prometeu expansão anual dos lucros acima de 6,5 por cento e da receita da divisão de mercados globais de aproximadamente 5 por cento até 2020. Fontes dizem que Bonnafe pode considerar acordos que contribuam para um crescimento mais significativo.

Há relatos de que o BNP conversou com o governo alemão no ano passado sobre a compra de uma participação de 15 por cento no Commerzbank, o segundo maior banco do país. A Cerberus Capital Management, do bilionário Stephen Feinberg, acumulou nos últimos meses uma fatia de 5 por cento do Commerzbank e, junto com o governo alemão, é uma das três maiores acionistas da instituição ? sinal que algum tipo de acordo talvez seja inevitável.

Commerzbank - Deutsche Bank

A Cerberus, firma de private equity conhecida por investimentos em dívidas em situação de estresse, também está apostando no Deutsche Bank, o maior banco alemão, e agora tem participação de 3 por cento na instituição. O Deutsche Bank está sobrecarregado por despesas jurídicas devido a má conduta. Além disso, a queda na receita com negociação de ativos financeiros coincidiu com exigências maiores de capital em atividades de maior risco.

O presidente do banco, John Cryan, já defendeu a consolidação entre bancos europeus que tentam restaurar a lucratividade. Ele chegou a conversar com o Commerzbank em 2016, segundo uma pessoa a par do assunto. A fusão das operações de varejo na Alemanha diminuiria os custos e o novo banco seria imbatível no financiamento a pequenas e médias empresas.

O principal obstáculo a um acordo com o Commerzbank? Embora as ações ainda sejam negociadas por dois terços do valor contábil, o valor do banco é considerado exagerado em até 40 por cento.

Commerzbank - UniCredit

O UniCredit fortaleceu o balanço patrimonial vendendo dívidas de recebimento duvidoso e captando recursos junto a investidores, além de demitir pessoal.

No ano passado, executivos do banco italiano discutiram com autoridades alemãs uma possível combinação com o Commerzbank quando a reestruturação dos dois bancos estivesse concluída, de acordo com uma pessoa a par das conversas.

O Commerzbank daria ao UniCredit maior acesso a pequenas e médias empresas e a oportunidade de diminuir custos na operação de varejo.

Lloyds vai às compras na Europa

O Lloyds Banking Group pode tentar crescer fora de casa, dado que a saída do Reino Unido da União Europeia traz ameaças à economia britânica.

A instituição comprou a divisão de cartão de crédito do Bank of America no Reino Unido por US$ 9,9 bilhões no ano passado e deve revelar em fevereiro a nova estratégia de crescimento.

O Commerzbank pode ser uma opção, assim como um banco menor que daria ao Lloyds presença no continente e espaço para crescer no exterior.

Compra do ABN Amro

Médio porte talvez não seja vantagem no longo prazo, segundo executivos de bancos. Com o governo holandês ainda controlando parte do ABN Amro após um resgate, a melhor opção pode ser a venda a um concorrente.

Em 2016, o governo holandês entrou em negociações preliminares com a diretoria do Nordea. O acordo teria permitido que o maior banco da Escandinávia transferisse a sede de Estocolmo para a Holanda, aliviando o ônus regulatório.

As discussões fracassaram e o sueco Nordea está transferindo a sede para a Finlândia.

Segundo fontes, um acordo com o ABN Amro ainda faz sentido, mas o banco também pode virar alvo do BNP Paribas, Deutsche Bank ou UniCredit.

UniCredit - Deutsche Bank ou SocGen

Uma opção já discutida há muito tempo seria o banco italiano unir forças com o Deutsche Bank, de acordo com uma pessoa entrevistada. As instituições juntas teriam mais robustez na Alemanha e a presença de banco de investimento na Europa do Deutsche Bank poderia ser fortalecida.

Uma combinação com o segundo maior banco francês, o Société Générale, também seria atraente para o UniCredit.




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