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Arábia Saudita anuncia novo e enorme complexo de arte

James Tarmy

30/01/2018 15h59

(Bloomberg) -- Há cerca de 15 meses, o artista Ahmed Mater conseguiu uma audiência de 10 minutos com o novo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud.

Durante a reunião, Mater, que chamou a atenção do príncipe quando uma de suas obras foi entregue à China como presente de Estado, apresentou uma proposta ambiciosa: a Arábia Saudita, argumentou, deveria ser um polo artístico, um lugar onde a criação e a propagação da arte contemporânea poderia prosperar.

Na segunda-feira, Mater ficou de pé no pódio da sala de curadores do Museu de Arte Moderna de Nova York para anunciar que sua proposta se transformaria em realidade: o Instituto de Arte Misk, com sede em Riad, uma ramificação da multifacetada Fundação Misk do príncipe herdeiro, voltada a assuntos educacionais, sociais e culturais, terá "galerias de exposição, espaços criativos, espaços para reuniões, workshops, espaços para produção e programas educacionais", disse Mater, em discurso para um público que incluiu Glenn Lowry, diretor do MoMA.

Boa parte do instituto ainda está em fase de planejamento. Não há orçamento nem uma maquete digital do novo edifício, mas uma equipe de empresas de arquitetura foi escolhida para a construção do centro (Michele De Lucchi, da aMDL, Skene Catling de la Peña e a empresa de produção de arte Factum Arte, dirigida por Adam Lowe), e os organizadores da instituição já apresentaram uma ambiciosa série de programas que constituirão seu alcance no restante do ano. Haverá um novo Pavilhão Saudita na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2018, um novo "Festival de Arte Árabe de Nova York", uma série de exposições, apresentações, programas e comissões durante várias semanas de outubro e uma iniciativa para enviar jovens artistas sauditas à Califórnia por meio de um novo programa educacional chamado "Criar e Inspirar".

Geração de empregos e mudança cultural

"Uma forma de pensar a respeito é lembrar que o príncipe herdeiro tem 32 anos", diz Stephen Stapleton, artista britânico nomeado diretor de programação internacional do instituto. "Ele é de uma geração em que a indústria criativa não apenas faz parte da mudança econômica -- porque contribui para a geração de empregos --, mas também faz parte das mudanças culturais."

A iniciativa nas artes é apenas um dos vários programas que a Fundação Misk do príncipe herdeiro empreendeu como parte de sua Visão 2030, uma iniciativa de modernização social e econômica que pretende mexer em praticamente todos os aspectos da sociedade saudita (um desses esforços é um programa de jornalismo realizado em parceria com a Bloomberg News).

O Instituto de Arte Misk será supervisionado por um conselho e liderado por Mater. Grande parte de sua equipe está formada e "mais de 60 por cento dos cargos de direção são ocupados por mulheres", observou Mater, um sinal do crescente impulso do país em prol dos direitos femininos (em setembro de 2017, as mulheres passaram a ter o direito de dirigir).

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