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Metropolitan consegue manter obra emblemática de Picasso

Chris Dolmetsch e Katya Kazakina

(Bloomberg) -- O Metropolitan Museum of Art (Met) poderá manter uma de suas mais famosas pinturas de Pablo Picasso. Uma juíza federal americana rejeitou a ação aberta pela administradora da herança de um empresário alemão que buscava recuperar a obra que ele foi obrigado a vender sob coação quando fugia dos nazistas.

"O Ator" é um dos destaques das galerias do segundo andar do museu, onde são exibidas pinturas e esculturas europeias do século 19 e do início do século 20. A obra retrata um jovem no palco, vestido com um traje rosa pastel com acessórios azuis. O rosto pálido e magro do indivíduo e o gesto exagerado evocam o artista El Greco.

Na quarta-feira, uma juíza federal de Nova York atendeu ao pedido do museu e rejeitou a ação aberta pela administradora da herança de Alice e Paul Leffmann, que venderam o trabalho por US$ 13.200 em 1938 para conseguir dinheiro para deixar a Itália. O casal tinha se mudado para o país para fugir dos nazistas na Alemanha, mas foi forçado a vender a pintura quando permanecer na Itália se tornou muito perigoso.

"O Met saúda a decisão detalhada e fundamentada do tribunal de rejeitar o pedido da querelante pelo quadro O Ator, de Picasso, que é parte importante da coleção do museu desde 1952", informou o museu por e-mail. Lawrence Kaye, advogado da administradora do espólio, disse que sua cliente está muito decepcionada com a decisão e pretende apelar.

Venda do quadro

A pintura foi comprada dos Leffmann por uma dupla de marchands de arte e um deles emprestou a obra ao Museu de Arte Moderna de Nova York no ano seguinte. A obra, então, foi vendido por US$ 22.500 em 1941 a Thelma Chrysler Foy, herdeira da fabricante de automóveis e colecionadora de obras de arte, que a doou ao Met, onde está desde então.

O Met se recusou a entregar a pintura quando a administradora da herança dos Leffmann exigiu sua devolução, em 2010, e quando entrou com processo na Justiça, em 2016, pedindo a um tribunal que obrigasse o museu a entregar a obra de arte e a pagar US$ 100 milhões de indenização.

A juíza distrital dos EUA Loretta Preska se recusou a anular o contrato de venda da pintura, de 1938. Embora os Leffmann estivessem sob pressão econômica durante "as circunstâncias inegavelmente terríveis dos regimes nazista e fascista", ela disse que este fato não era suficiente para provar a acusação legal de coação feita pela administradora do espólio porque não foram as contrapartes da venda, nem o museu, que pressionaram os Leffmann a vender o quadro.

O quadro foi pintado no início da Fase Rosa de Picasso, segundo David Norman, marchand de arte impressionista e moderna de Nova York. O humor sombrio da Fase Azul do artista, durante a qual ele esteve obcecado pelos pobres e despossuídos, ganhou leveza ao dar lugar à Fase Rosa, quando Picasso se concentrou em atores e artistas de circo.

No mercado de arte atual, o valor da obra poderia facilmente rivalizar com o recorde atual de leilão de Picasso, de apenas cerca de US$ 180 milhões, disse Norman.

"Para as pessoas que caminham por essas galerias, esta obra é tão importante que sua ausência seria profundamente sentida", disse Norman.

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