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Sony e Mixi apostam em eSports, e Japão, na profissionalização

Yuji Nakamura e Yuki Furukawa

(Bloomberg) -- Fumante compulsivo, magro e pálido, Yota Kachi não parece muito um atleta profissional. Mas neste fim de semana, o rapaz de 31 anos terá a chance de ganhar esse status jogando videogame.

O Japão iniciará o processo de legalização dos esportes eletrônicos (eSports) pagos com um torneio perto de Tóquio que começa neste sábado. Centenas de jogadores, incluindo Kachi, se enfrentarão em uma competição de dois dias por mais de US$ 300.000 em prêmios pagos por produtoras de jogos como Sony e Mixi. Mas há muito mais que isso em jogo: algumas dezenas de jogadores, entre os melhores, ganharão licenças para disputar competições de videogames remuneradas no futuro.

Trata-se de uma enorme mudança para o Japão. As leis destinadas a impedir o jogo ilegal também vetavam torneios pagos no país enquanto os jogadores da China e dos EUA ganhavam fama e fortunas. O novo sistema visa a dar a Kachi e seus colegas a chance de ganhar a vida fazendo o que amam e a ajudar os desenvolvedores de software japoneses a ingressar em um setor global multibilionário que até o momento os deixou de fora.

"Quero que as crianças me assistam e se inspirem para jogar", disse Kachi, que pratica cinco ou seis horas por dia antes do torneio, no qual competirá em um jogo estilo luta de rua chamado Tekken 7, da Bandai Namco. "Não é apenas pelo dinheiro, mas também pelo reconhecimento."

Mas para as empresas do setor, o dinheiro é importante. A receita mundial com jogos de competição -- incluindo venda de ingressos, publicidade, direitos de transmissão e merchandising - chegará a US$ 5 bilhões anualmente até 2020, segundo a empresa de pesquisa de mercado Activate. Torneios realizados fora do Japão costumam atrair dezenas de milhares de espectadores. Na China, o sucesso de jogos multi-player como League of Legends, uma sensação dos esportes eletrônicos, ajudou a transformar a Tencent Holdings em uma das 10 empresas mais valiosas do mundo, com valor superior ao de todas as produtoras de software japonesas combinadas.

"O mercado de eSports estava fechado no Japão e, por isso, as empresas japonesas têm tido dificuldades para competir", disse Pelham Smithers, dono de uma empresa homônima com sede em Londres que pesquisa empresas de tecnologia asiáticas. "A programação deste fim de semana foi feita meio em cima da hora, mas os organizadores estão apostando muito dinheiro nisso. Acho que daqui a 12 ou 24 meses poderemos ver o Japão se transformar em um dos principais organizadores desses torneios."

Um porta-voz da unidade de jogos da Konami, uma das seis produtoras participantes do torneio deste fim de semana, afirmou que os esportes eletrônicos são uma boa publicidade. Um representante da Bandai Namco disse que a empresa estuda novas linhas de negócios em jogos de competição, mas que a prioridade é ampliar a visibilidade do setor. Um representante da Sony disse que os eSports criam comunidades mais fortes de jogadores e aumentam o "valor social" dos games. A Mixi não respondeu aos pedidos de comentário.

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