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Frutas `morrerão no pé' nos EUA após operações anti-imigração

Kartikay Mehrotra

02/03/2018 15h40

(Bloomberg) -- Nos últimos 15 anos, o marido de Maria trabalhou podando pés de frutas cítricas em fazendas do Vale Central da Califórnia. No período, adquiriu habilidade suficiente para receber mais que os US$ 11 por hora do salário mínimo estadual cortando galhos para a Sun Pacific, empresa que leva a marca de tangerina Cuties a supermercados e mesas nos EUA.

Após deixar os cinco filhos na escola na segunda-feira, em Porterville, ele, que havia sido preso em 2014 por dirigir embriagado, foi abordado e detido por agentes federais. Esta foi uma das centenas de prisões em uma série de operações realizadas no estado nesta semana como parte da repressão do governo de Donald Trump aos imigrantes ilegais.

O conflito atingiu seu auge político nesta semana, depois que a prefeita de Oakland, Libby Schaaf, alertou os moradores, no sábado, a respeito de uma operação iminente, dando tempo aos residentes ilegais para escapar. O departamento de Imigração e Alfândega dos EUA anunciou que havia prendido 232 indivíduos que violavam as leis federais de imigração durante a operação de quatro dias que terminou na quarta-feira, dos quais 115 tinham condenações anteriores.

'Vigia de gangue'

O diretor interino da agência, Thomas Homan, estimou no início da semana que mais de 800 "estrangeiros criminosos" continuavam em liberdade na área da Baía de São Francisco e atribuiu parte da culpa à prefeita, comparando suas advertências às de "um vigia de gangue que grita 'polícia'". A ação policial é uma resposta direta às políticas da Califórnia, segundo as quais os órgãos locais não cooperam com o policiamento da imigração.

"É um insulto que uma prefeita entregue as autoridades federais, certamente colocando-as em perigo com uma iniciativa dessas", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, em entrevista coletiva, na quinta-feira.

Schaaf chamou a agência e a política de imigração do governo Trump de racistas.

Tantos os adversários quanto alguns dos apoiadores de Trump na Califórnia concordariam em algo: as operações são ruins para os negócios. As notícias sobre as operações e o destaque às detenções estão aterrorizando a população ilegal do estado -- estimada em 2,6 milhões em 2015 --, que tem medo de sair de casa.

Escassez de mão de obra

A ausência dela ameaça certos segmentos da maior economia estadual do país, incluindo o varejo, os restaurantes e a indústria agrícola do Vale Central, avaliada em US$ 47 bilhões, que fornece mais da metade das frutas, das nozes e dos vegetais do país. Essa faixa de 724 quilômetros na Califórnia é responsável por um oitavo da produção agrícola do país.

A indústria agrícola já tem dificuldades para encontrar trabalhadores como o marido de Maria. Mais de 55 por cento dos 762 fazendeiros e criadores de gado entrevistados para um relatório da Federação Agrícola da Califórnia de outubro de 2017 afirmaram que metade de suas terras continua improdutiva devido à atual escassez de mão de obra, condição diretamente relacionada à política de imigração dos EUA.

Dos mais de 2 milhões de trabalhadores agrícolas do país, 1,5 milhão são ilegais, segundo Tom Nassif, presidente da Associação dos Agricultores do Oeste dos EUA (WGA, na sigla em inglês), grupo de 92 anos que representa agricultores da Califórnia, do Arizona, do Colorado e do Novo México. Nassif e a associação apoiaram Trump desde o início de sua campanha, mas, segundo ele, as operações e a política de imigração, em vigor há décadas e agora aplicada aos trabalhadores agrícolas, prejudicam a economia do setor e do estado.

"Trata-se de uma retaliação de um governo hostil aos imigrantes", disse David Huerta, presidente do sindicato local SEIU United Service Workers West. "As frutas morrerão nos pés de uva neste ano por causa desse governo. Esse governo não entende a contribuição da mão de obra imigrante para setores inteiros, e o fato de eles não enxergarem isso terá consequências."

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