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Aviação dos EUA enfrenta escassez iminente de mecânicos

Mary Schlangenstein

(Bloomberg) -- Nos últimos anos, as empresas aéreas dos EUA enfrentaram uma escassez de pilotos. Agora, elas também estão preocupadas com a possibilidade de ficar sem mecânicos.

A escassez iminente já levou as empresas aéreas a pagar bonificações para conseguir técnicos de manutenção de aviões assim que se formarem na escola profissional. Para 2027, a demanda por mecânicos qualificados superará a oferta em 9%, segundo um estudo da consultoria Oliver Wyman.

"Praticamente todos acreditam que vai haver problemas. E todos fazem mais ou menos a mesma pergunta: eles não sabem de onde os substitutos virão", disse Charles Horning, da Embry-Riddle Aeronautical University em Daytona Beach, Flórida. "As escolas não estão formando suficientes substitutos."

Este é apenas o mais novo problema com o pessoal para as empresas aéreas, que não muito tempo atrás estavam demitindo funcionários em uma sequência de falências.

Agora, recrutar mecânicos se transformou em um desafio. À medida que a escassez piorar, provavelmente a manutenção se transforme em um obstáculo, aumente os custos e afete a pontualidade. Afinal, os salários terão que subir - fato que afetará os balanços de empresas aéreas, empreiteiros de manutenção e até mesmo fabricantes de aviões.

"Quem não conseguir pessoas com as habilidades certas vai sentir um impacto no balanço", disse Michelle Burreson, gerente sênior para o desenvolvimento da força de trabalho da Boeing. As empresas "precisam ficar criativas" com os pacotes de remuneração, disse ela.

'Geração perdida'

A brecha se consolidou com uma sequência de pedidos de recuperação judicial de empresas aéreas em meados da década de 2000 que baixou salários e congelou aposentadorias. As fusões posteriores levaram as operadoras a demitir trabalhadores e a parar de contratar, processo que criou uma "geração perdida" para o emprego no setor, disse Joe McDermott, diretor de recrutamento na Delta Air Lines.

Hoje, 30% dos mecânicos de aviões beira ou está na idade de aposentadoria, ao passo que os novos mecânicos representam somente 2%, segundo o Aviation Technician Education Council, uma associação profissional para as escolas de aviação.

Os aposentados levam com eles anos de experiência no trabalho com os aviões mais antigos, fato que exige aos calouros aprender sobre aviões velhos além da nova geração de aeronaves avançadas, disse Brian Prentice, da Oliver Wyman.

As 171 escolas de manutenção de aviões nos EUA preencheram só metade das vagas, segundo o ATEC. Além disso, um quinto dos formados abandona o setor e passa para outras carreiras. O número de certificados novos de mecânico de avião caiu 11% entre 2014 e 2017, segundo a Administração Federal de Aviação dos EUA.

"É um emprego um pouco difícil de vender", disse Horning, da Embry-Riddle. "Ainda existe a percepção entre o público general de que mecânico de avião é um emprego muito bruto e sujo. Não que você não vá se sujar, mas também há muita tecnologia de ponta no emprego."

--Com a colaboração de Richard Clough

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