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Acidente da Uber é pesadelo que mundo autônomo temia, mas previa

Dana Hull, Mark Bergen e Polly Mosendz

20/03/2018 10h56

(Bloomberg) -- Na semana passada, a Waymo exibiu um vídeo em que pessoas passeavam em suas minivans autônomas. Uma usava o celular, outras bocejavam, uma delas dormia. A mensagem é que os carros sem motorista são tão seguros que chegam a ser entediantes. O objetivo do vídeo era aumentar o apoio para um serviço de táxi completamente sem motorista que a companhia planeja lançar em Phoenix, nos EUA, no final deste ano.

Agora, uma tragédia poderia retardar os esforços da unidade da Alphabet e a marcha do setor em geral para a comercialização desta tecnologia. Um carro autônomo de teste da Uber Technologies atropelou e matou uma pedestre em Tempe, perto de Phoenix, na noite de domingo, provocando investigações por parte dos reguladores e a reação de alguns defensores da segurança do consumidor.

"Isso vai fazer com que a confiança do consumidor nessa tecnologia retroceda anos ou até décadas", disse Jason Levine, diretor executivo do Center for Auto Safety, um grupo de defesa com sede em Washington. "Precisamos reduzir a velocidade."

A fatalidade, a primeira a envolver um veículo de teste autônomo e um pedestre, ocorreu em uma conjuntura essencial para o novo setor. Empresas, incluindo Alphabet, General Motors, Uber e Tesla, estão investindo bilhões de dólares para desenvolver a tecnologia. Os testes em vias públicas, na maioria das vezes, não ocasionaram problemas, e os raros acidentes graves não foram considerados culpa da tecnologia.

Ainda assim, à medida que os veículos autônomos passam a ser testados em ambientes urbanos e suburbanos complexos, as chances de um incidente fatal aumentaram. Os líderes da Alphabet há anos receiam que uma morte causada por um acidente ou testes imprudentes de uma concorrente em vias públicas possam desencadear normas exageradas. Quando a Bloomberg entrou em contato com um ex-engenheiro de automóveis sem motorista na segunda-feira para falar sobre o setor, o primeiro comentário da pessoa foi: finalmente aconteceu. A pessoa pediu para não ser identificada ao falar sobre um assunto tão delicado.

Quando um motorista que utilizava o sistema de piloto automático da Tesla bateu e morreu em 2016, a reação inicial foi semelhante à resposta ao incidente de segunda-feira da Uber. Mas os dois episódios são diferentes.

Em maio de 2016, Joshua Brown, motorista de um Tesla Model S que havia ativado o piloto automático, bateu em um caminhão em uma rodovia da Flórida e morreu. A Administração Nacional de Segurança Rodoviária e o Conselho Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA investigaram, a fornecedora Mobileye cortou vínculos com a Tesla e foram feitas inúmeras atualizações para a tecnologia do piloto automático. Mas as consequências foram amplamente contidas para a Tesla.

"Muita gente ficou surpresa porque a fatalidade da Tesla não teve maiores consequências. A fatalidade da Uber pode ser o estopim que deixará a população geral mais cética", disse Bryant Walker Smith, professor da Faculdade de Direito da Universidade da Carolina do Sul que estuda regulamentos de veículos sem motorista.

"No acidente da Tesla na Flórida, o carro foi comprado e usado pela vítima. No acidente do Arizona, o veículo era um carro de teste totalmente sob o controle da Uber, e a vítima era uma pessoa comum", acrescentou Smith.

Até o momento, não está claro se o incidente da Uber vai alterar os planos de outras empresas no Arizona. O vídeo que a Waymo divulgou no início deste mês mostrava passageiros de testes realizados em Chandler, a cerca de 22 quilômetros de Tempe. Desde o verão boreal passado, a Waymo vem transportando voluntários em suas minivans autônomas sem motoristas de segurança ao volante - uma façanha sem precedentes para mostrar a proeza técnica da empresa. Funcionários da Waymo não responderam a pedidos de comentários. Um representante de Chandler disse que a cidade não tem planos para mudar seu acordo com a Waymo.

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