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Wall Street discute o que virá depois de US$ 900 bi em perdas

Sarah Ponczek

(Bloomberg) -- Após a perda de US$ 900 bilhões nas bolsas globais em apenas 24 horas, a pergunta é o que vem pela frente em meio às discussões acaloradas das autoridades sobre tarifas de importação e retaliações.

Alguns analistas recomendam que os investidores se protejam. Outros acreditam que a reação foi exagerada.

O S&P 500 está próximo da menor pontuação desde o começo de fevereiro. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano se afastaram das máximas das últimas semanas, após o presidente Donald Trump anunciar, na quinta-feira, planos para taxar US$ 50 bilhões em bens produzidos na China. O governo chinês respondeu comedido, com novas tarifas sobre apenas US$ 3 bilhões em bens produzidos nos EUA.

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Será que uma guerra comercial global é iminente? Listamos abaixo o que ouvimos em Wall Street:

Táticas de negociação

Matt Maley, estrategista de renda variável da Miller Tabak:

"Trump talvez não nos enfie em uma guerra comercial total, mas parece que ele está empenhado em mudar a situação de modo significativo. Portanto, quem acha que será um não evento talvez não tenha argumentos."

Daniela Mardarovici, gestora de carteiras da BMO Fixed Income:

"Nesse tipo de situação, a mensagem inicial pode ter uma natureza bastante protecionista. Depois do fato, o presidente Trump geralmente faz concessões que aliviam algumas preocupações. Em que pese a primeira reação, esperamos discussões que produzirão um desfecho mais moderado."

Kim Wallace, diretor-gerente da Eurasia Group:

Um acordo conciliatório está "ao alcance". "É preciso ficar de olho em sinais de negociações bem-sucedidas que impeçam a escalada da situação ou que ocorra impacto tangível sobre os consumidores. Provavelmente haverá volatilidade, mas o presidente e seu partido não podem se dar ao luxo de entrar em uma guerra comercial sem fim."

Chris Harvey, estrategista-chefe de renda variável da Wells Fargo Securities:

"Comércio internacional e tarifas serão questões importantes por semanas, talvez meses. Não parece grande a chance de isso virar uma espiral negativa, mas é uma possibilidade que vem crescendo, ainda mais com a renúncia de Gary Cohn (principal assessor econômico da Casa Branca). A nosso ver, a retórica e as repercussões domésticas e globais em torno das tarifas e a saída de Cohn devem pesar sobre o mercado no curto prazo e manter a volatilidade."

Razões para otimismo

Tom Essaye, fundador da publicação "The Sevens Report":

"Francamente, a linguagem jurídica por trás dessa decisão é contida. O quadro é parecido com o que se viu para as tarifas de aço e alumínio. Na verdade, praticamente todos os grandes exportadores de aço para os EUA conseguiram uma exceção. E apesar de todo o drama do anúncio de ontem, a documentação jurídica é genérica e não ameaçadora.''

Hans Redeker, estrategista-chefe global de câmbio do Morgan Stanley:

"Todos os olhos se voltarão para a China, que não tem interesse em uma escalada do conflito, a não ser que Pequim comece a dar mais importância a razões não econômicas, como a possibilidade de os EUA fortalecerem os laços com Taiwan - o que seria visto como violação da política de "Uma China". Até agora, a resposta contida não proporcionou alívio aos mercados."

--Com a colaboração de Joanna Ossinger e Lu Wang

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