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Sauditas e japoneses planejam maior projeto de energia solar do mundo

Vivian Nereim e Stephen Cunningham

  • Divulgação

(Bloomberg) -- A Arábia Saudita e a japonesa SoftBank Group assinaram um memorando de entendimento para construir um projeto de desenvolvimento de energia solar de US$ 200 bilhões que é exponencialmente maior do que qualquer outro projeto.

O fundador da SoftBank, Masayoshi Son, conhecido por financiar empreendimentos ambiciosos, apresentou o projeto na terça-feira (27) em Nova York em uma cerimônia com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman.

O poderoso herdeiro do trono do maior exportador de petróleo bruto do mundo pretende diversificar a economia do país e reduzir a dependência do petróleo.

O acordo é o mais novo de uma série de anúncios surpreendentes da Arábia Saudita prometendo expandir o acesso do país a energias renováveis. Durante anos, o reino tentou criar uma base de energia limpa, mas só em 2017 os ministros avançaram com os primeiros projetos, buscando ofertas para uma usina de 300 megawatts em outubro.

Com 200 gigawatts, o projeto da SoftBank para o deserto saudita seria cerca de cem vezes maior do que o segundo maior projeto proposto até agora e forneceria um terço a mais do que a indústria fotovoltaica global forneceu no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg New Energy Finance.

"É um grande passo na história da humanidade", disse o príncipe Mohammed. "É algo audaz, arriscado e esperamos ter sucesso."

'A melhor visão'

Se for realizado, o projeto quase triplicaria a capacidade de geração de eletricidade da Arábia Saudita, que foi de 77 gigawatts em 2016, de acordo com dados da BNEF. Cerca de dois terços são gerados com gás natural e o restante vem do petróleo. Hoje existem projetos solares somente de pequeno porte no país.

Son disse que prevê que o projeto, que vai da geração de eletricidade até a fabricação de painéis e equipamentos, criará até 100 mil empregos e economizará US$ 40 bilhões em custos de eletricidade. O desenvolvimento atingirá sua capacidade máxima em 2030 e poderá custar quase US$ 1 bilhão por gigawatt, disse ele.

"O reino tem excelente potencial solar, um vasto território disponível e grandes engenheiros, mão de obra e, o mais importante, a melhor e a maior envergadura", disse Son aos jornalistas em uma sessão informativa.

Laços aprofundados

O acordo aprofunda os laços entre a SoftBank e a Arábia Saudita e significa um avanço no objetivo do príncipe herdeiro de diversificar a economia.

"A SoftBank procura investimentos e a Arábia Saudita precisa de energia, por isso faz sentido coordenar o financiamento com um grande passo e depois definir as etapas e os detalhes técnicos", disse Jenny Chase, diretora de análise de energia solar da BNEF. "Vale a pena lembrar que muitos desses memorandos de entendimento não resultam em nada."

A Arábia Saudita também planeja construir pelo menos 16 reatores nucleares nos próximos 25 anos com um custo de mais de US$ 80 bilhões. A demanda por eletricidade no país aumentou cerca de 9 por cento por ano desde 2000, segundo a BNEF.

(Com a colaboração de Chisaki Watanabe e Stephen Stapczynski)

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