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Eleição no Paraguai deve manter partido do governo no poder

Ken Parks

19/04/2018 15h02

(Bloomberg) -- A economia do Paraguai está crescendo e na eleição deste domingo a política terá menos peso do que os candidatos e suas máquinas partidárias.

Em termos de crescimento, este país sem saída para o mar é um dos poucos pontos brilhantes da América Latina nos últimos anos. Se não houver surpresas, Mario Abdo Benítez, 46, ex-senador cujo pai foi secretário do ditador Alfredo Stroessner, parece que manterá a presidência em mãos do Partido Colorado conservador. Pesquisas de opinião recentes o colocam bem à frente de Efraín Alegre, ex-ministro apoiado pela Alianza Ganar, uma aliança inesperada entre direitistas e esquerdistas.

O vencedor herdará uma economia de US$ 30 bilhões que deve registrar seu sexto ano consecutivo de crescimento e o banco central prevê uma expansão de 4,5 por cento neste ano. Desde sua estreia nos mercados globais de dívida em 2013, o Paraguai vendeu quase US$ 3,5 bilhões em títulos, com um rendimento médio de 4,97 por cento, em comparação com a média de 5,82 por cento dos mercados emergentes. Suas taxas impressionantes de crescimento, porém, não têm feito muito para diminuir os elevados níveis de pobreza, e cerca de mais de um quarto dos 6,9 milhões de habitantes vive abaixo da linha de pobreza.

Poucas diferenças

Em relação ao programa político, não há muita diferença entre os dois candidatos. Ambos prometeram combater a corrupção endêmica, reformando um sistema judiciário pouco transparente, e gastar mais em educação e saúde. Os dois também dizem que podem pagar isso melhorando o sistema de arrecadação de impostos, que são baixos no país. Abdo Benítez disse que vai pedir empréstimos para aumentar o gasto social. Alegre diz que não há necessidade de contrair dívidas porque os novos impostos sobre o tabaco poderiam chegar a US$ 800 milhões.

Nos bastidores da reunião do FMI em Washington, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Valdovinos, disse que os investidores não precisam se preocupar com o resultado. "Do ponto de vista econômico, não há mudança, pelo menos nos fundamentos macroeconômicos", disse ele.

O próximo presidente enfrenta o desafio de fornecer empregos, educação e moradia a 500.000 pessoas, das quais 75 por cento são millennials, que de acordo com as estimativas, viverão nas maiores cidades do país nos próximos cinco anos, disse Daniel Correa, ex-vice-ministro de Finanças e assessor econômico sênior de Abdo Benítez.

O Paraguai "precisa de líderes democráticos que possam atender as exigências desses millennials. Esse bônus demográfico pode ser um ativo ou se transformar em um passivo", alertou Correa.

--Com a colaboração de David Biller