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Sem medo das eleições, CEO do ABN Brasil diz que emprestará mais

Cristiane Lucchesi e Felipe Marques

20/04/2018 06h00

(Bloomberg) -- Presidente no Brasil do ABN Amro disse que a campanha presidencial do país não vai atrapalhar seus planos de expansão.

"Não temos medo do Brasil", disse Rick Torken, em entrevista em São Paulo. "Estamos aqui há 101 anos e continuaremos aumentando nossas linhas de crédito como fizemos inclusive durante a recessão."

A carteira do ABN Amro, de total de R$ 15 bilhões para empresas brasileiras, deve crescer até 30% neste ano, acompanhando o ritmo de expansão dos últimos anos, disse Torken. O banco contratou 18 novos funcionários para o país no ano passado, incluindo 16 banqueiros, elevando sua equipe de São Paulo para 110, disse ele.

"Com a taxa básica de juros caindo, vemos mais demanda por empréstimos em reais", disse ele, acrescentando que a carteira de crédito existente é em grande parte denominada em dólares, com linhas à exportações contratadas fora do Brasil.

Os mercados têm preocupação de que a eleição de outubro possa reverter o progresso feito pelo Brasil na recuperação de uma recessão de dois anos, já que alguns candidatos defendem políticas contrárias aos interesses de muitos investidores como maiores gastos sociais e mais intervenção do governo na economia. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu algumas dessas propostas e é o favorito nas pesquisas, começou a cumprir pena de 12 anos de prisão por corrupção este mês.

Muito maior

Torken disse que mudanças políticas não desviarão o ABN Amro de sua estratégia para o país. "O Brasil é muito maior do que essas eleições", disse ele.

O banco estatal holandês também está começando a emprestar para novos segmentos de indústria no Brasil, incluindo energia renovável, alimentos, fertilizantes e petroquímicos, bem como para empresas de eletricidade e serviços públicos, de acordo com Torken.

"Uma grande fatia de nossa carteira é o agronegócio, mas isso é porque esse é um negócio muito saudável no Brasil e vem salvando a economia nos últimos dois anos", disse ele.

Com R$ 520 milhões em capital, o ABN Amro também está expandindo suas linhas de negócios. No ano passado contratou André Junqueira de Azevedo, ex-diretor da Credit Suisse Group e diretor de desenvolvimento de negócios da processadora de alimentos BRF, para liderar uma equipe de assessoria em fusões e aquisições.

"Também ampliamos nossa capacidade em realizar transação de eurobônus e de empréstimos sindicalizados", disse Torken.

Chile, Peru

O escritório de São Paulo serve como base para atuação na América Latina, onde o banco também está se expandindo. O ABN Amro está "se movimentando mais ativamente" no Chile e no Peru este ano, disse Torken, acrescentando que o banco já tem uma carteira de crédito na Argentina.

O ABN, com sede em Amsterdã, perdeu sua licença bancária no Brasil em 2007, quando um grupo incluindo o Banco Santander comprou sua unidade local. O banco manteve um escritório de representação no país e, em agosto de 2013, recuperou a licença com a aquisição do Banco CR2 no Rio de Janeiro.

"Construímos um banco completamente digitalizado - nosso back office completo é executado com 49 pessoas", disse Torken.