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Avanço da indústria musical implica em novos Ed Sheeran: Gadfly

Tim Culpan

25/04/2018 15h03

(Bloomberg) -- Há dois assuntos sobre os quais a indústria internacional da música adora falar por meio de seu principal grupo de lobby: a injustiça com que todas são tratadas e as oportunidades maravilhosas que proporcionam para que os artistas sejam descobertos.

Basta ver o último Relatório Global de Música, uma publicação anual da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês). Está repleto de dados e declarações de executivos. E também de anúncios dos serviços de streaming de música.

A receita global da indústria de gravação subiu 8,1 por cento no ano passado, estimulada pelo aumento de 41 por cento do streaming, segundo a IFPI. Esse formato agora representa 54 por cento das receitas do setor, enquanto a receita com downloads caiu 20,5 por cento.

Rob Stringer, CEO da Sony Music Entertainment, deu a seguinte declaração para o relatório:

"Este é o capítulo mais rápido e inovador da indústria musical em décadas. Continuamos ampliando o número de oportunidades para que os artistas atinjam seu público."

Max Lousada, CEO de gravações da Warner Music Group, também mostra interesse pelos artistas e o público:

"Nosso papel é ajudar a transformar a criatividade em carreiras e converter o acesso dos fãs em atenção."

A IFPI, que é presidida pelo cantor espanhol Plácido Domingo, também aponta que a receita do ano passado foi um terço mais baixa que a do pico do mercado, em 1999.

Se quando dizem "artistas" esses executivos falam de Ed Sheeran, Drake, Taylor Swift e Luis Fonsi, então eles de fato criaram oportunidades e carreiras. Mas se você é um dos milhares de outros artistas que dedilham um violão na esperança de chegar ao estrelato, boa sorte.

Sheeran foi o principal artista dos serviços de streaming no ano passado com "Shape of You" e, juntamente com o pegajoso reggaeton "Despacito" de Fonsi, respondeu por 42 por cento das reproduções por streaming das 10 principais músicas do ano passado, segundo cálculos do Gadfly. Sheeran também foi o artista número um em todo o mundo no ano passado considerando todas as plataformas, à frente de Drake, que liderou a lista no ano anterior.

Nas paradas de álbuns, "Divide", de Sheeran, e "Reputation", de Swift, além de ganharem honras foram responsáveis por mais da metade das vendas unitárias do top 10 -- incluindo os segmentos digital e físico, mas excluindo streaming. Para ser franco, ser uma estrela que lança álbuns já não é como antes -- os formatos físico e digital (tanto singles quanto álbuns) somaram US$ 8 bilhões em vendas no ano passado, contra US$ 25,2 bilhões em 1999.

Quem faz streaming independente não se saiu muito melhor. O negócio de streaming de música é estruturado de tal forma que apenas aqueles com os melhores desempenhos têm chances de ganhar algum dinheiro. Além disso, como Shira Ovide descreveu, serviços como o Spotify sobrevivem, em grande parte, graças à mão amiga das gravadoras. Com esse cenário de "não posso viver com eles, mas não posso viver sem eles", pode-se esperar mais concentração em torno de artistas campeões de vendas e menos espaço para artistas de nicho ganharem dinheiro com músicas gravadas.

E como as gravadoras estão realmente no negócio de vender música, provavelmente veremos mais de Ed Sheeran, Drake e Taylor Swift. Não se pode culpar as empresas da indústria da música, considerando que o streaming se transformou uma das formas mais democráticas já inventadas para o público exibir suas preferências. Só não espere que isso se traduza em "oportunidades crescentes para os artistas" ou que transforme "criatividade em carreiras".

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.