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Deutsche Bank reduz ambição em Wall Street para focar na Europa

Steven Arons

26/04/2018 15h33

(Bloomberg) -- O Deutsche Bank inicia aquela que pode ser a reforma mais abrangente já realizada em seu banco de investimentos, que passa por dificuldades.

O maior banco da Alemanha reduzirá a divisão de finanças corporativas nos EUA e na Ásia e revisará o negócio global de ações com o objetivo de torná-lo menor, anunciou o banco, em comunicado, na quinta-feira. As medidas levarão a uma "redução significativa" da força de trabalho de aproximadamente 97.100 pessoas neste ano, informou.

O futuro do banco de investimento era fator primordial na tumultuada reformulação gerencial em que Christian Sewing assumiu como CEO, neste mês. Sewing, um funcionário de carreira que começou como estagiário no Deutsche Bank, está acelerando o impulso para reorientar o banco em seu mercado doméstico europeu e recuar no esforço de duas décadas de competir frente a frente com as grandes instituições de Wall Street que dominam o volátil trading de títulos.

"Temos que agir com decisão e ajustar nossa estratégia", disse Sewing, no comunicado. "Não há tempo a perder porque os retornos atuais para os nossos acionistas são inaceitáveis." Ele não informou números.

Ressaltando os problemas do banco de investimento, a receita com trading no primeiro trimestre caiu 17 por cento em relação ao ano anterior, contra um aumento de 12 por cento nos rivais americanos. O Deutsche Bank afirmou que a queda foi menos ruim se ajustada ao dólar mais fraco e a diversos efeitos pontuais. O Barclays, seu maior concorrente europeu, superou as expectativas em relação ao trading pelo segundo trimestre seguido, com aumento de 8 por cento nas receitas dos mercados, informou o banco nesta quinta-feira.

A mudança no banco de investimentos "parece ter alguma lógica", escreveu Andrew Coombs, analista do Citigroup, em nota a clientes. "Mas tememos que essas medidas também possam ter consequências inesperadas" para o restante das empresas e "coloquem ainda mais pressão sobre a posição de capital e os lucros" a curto prazo.

A empresa não informou números que mostrem qual será a profundidade dos cortes no banco de investimento. O banco havia começado a se retirar de alguns segmentos sob o comando de Cryan, que disse em 2015 que cortaria 10 por cento dos empregos, fecharia operações em 10 países e reduziria o número de clientes do banco de investimento aproximadamente pela metade.

O Deutsche Bank informou na quinta-feira que quer focar seu negócio de finanças corporativas em setores alinhados com seus clientes europeus ou em áreas nas quais tenha posição de liderança. No negócio de vendas e negociações de taxas nos EUA, o banco pretende reduzir o balanço, alavancar a exposição e financiar repos (compromissos de recompra). No campo das ações globais, pretende reduzir a exposição de alavancagem aos financiamentos especiais e se concentrar em relacionamentos mais profundos.

--Com a colaboração de Heather Burke e Jan-Henrik Foerster

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