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Aérea 'viking' armada com Airbus planeja incursão transatlântica

Christopher Jasper e Benjamin D. Katz

24/05/2018 11h33

(Bloomberg) -- Um novo invasor nórdico está prestes a atacar as principais empresas aéreas da Europa na forma de uma operadora pouco conhecida que é a primeira cliente do mais novo avião Airbus.

A Primera Air, uma empresa especialista em voos turísticos com saída da Dinamarca administrada pelo islandês Hrafn Thorgeirsson, pretende receber a primeira versão de longo curso do avião de fuselagem estreita A321neo em outubro e usar os quilômetros extras para oferecer voos transatlânticos, normalmente reservados a aviões maiores de corredor duplo.

A Primera não é a única a mirar o mercado de longo curso e baixo custo do extremo norte da Europa. Norwegian Air Shuttle ASA é pioneira em voos com pesados descontos nos EUA com uma frota de aviões Boeing 787 e também é uma futura cliente do modelo de longo curso da Airbus, enquanto a Wow Air é especializada em transportar a um baixo custo viajantes dispostos a trocar de avião em Reykjavik a caminho da América do Norte.

Nos três casos, as empresas aéreas têm buscado mercado no sul. A Primera iniciou voos do Aeroporto de Stansted, em Londres, para Newark, nos EUA, no mês passado e também operará a partir de Paris e Birmingham com serviços para Boston, Toronto e Washington. A Norwegian tem uma base maior no aeroporto London Gatwick e opera aviões 787 em Barcelona, Paris e Roma, e além disso emprega modelos 737 de corredor único nos limites de seu alcance com saídas do Reino Unido e da Irlanda para o leste dos EUA. A Wow conecta 21 cidades na Europa com 15 nos EUA e no Canadá via Islândia.

Pressões econômicas

Thorgeirsson disse que as empresas aéreas estão sendo forçadas a buscar mercados fora da região nórdica em parte como resultado da demanda doméstica menor, traçando um paralelo com as pressões econômicas que impulsionaram as invasões vikings no noroeste da Europa há mais de mil anos.

"Há uma estagnação", disse o CEO. "O número de passageiros de voos fretados na Dinamarca praticamente não mudou nos últimos cinco anos e o mesmo ocorre em toda a Escandinávia. Vimos o mesmo ocorrer em 800 A.C. A Noruega ficou superpopulada e, devido às leis da época, apenas os filhos mais velhos podiam receber herança. Por isso as pessoas começaram a navegar em direção à Irlanda, Inglaterra, Escócia e França."

O aeroporto de Stansted, por si só, tem uma área de influência de 26 milhões de pessoas, segundo a Primera, que montou sede em Riga, na Letônia, para reduzir custos. O total equivale às populações combinadas da Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia. As empresas aéreas de maior porte estão atentas à ameaça e começaram a operar seus próprios serviços intercontinentais de menor custo.

Ao mesmo tempo, o desafio de financiar operações transatlânticas pode empurrar as novas operadoras para os braços das rivais. A Norwegian, com o balanço sobrecarregado por centenas de encomendas de jatos, recebeu pelo menos duas abordagens para aquisição da proprietária da British Airways, a IAG, e o CEO da Wow, Skuli Mogensen, afirma que sua empresa pode procurar um investidor no setor ou uma oferta pública inicial para financiar voos diretos da Europa para os EUA e serviços para a Ásia.

--Com a colaboração de Richard Weiss.

Repórteres da matéria original: Christopher Jasper em Londres, cjasper@bloomberg.net;Benjamin D. Katz em London, bkatz38@bloomberg.net