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May reitera que cabe à Irlanda do Norte decidir sobre aborto

Alex Morales

29/05/2018 13h30

(Bloomberg) -- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, reiterou que a política sobre aborto da Irlanda do Norte só pode ser determinada por sua administração regional autônoma, atualmente suspensa, e rejeitou os pedidos de intervenção na província após a decisão tomada em referendo de relaxar as leis sobre aborto ao sul da fronteira.

"É importante reconhecer que o povo da Irlanda do Norte tem direito a seu próprio processo, que é dirigido por políticos eleitos localmente", disse o porta-voz de May, James Slack, a jornalistas em Londres nesta terça-feira. "Consideramos que este é um assunto da autoridade regional."

A esmagadora maioria da Irlanda votou pelo relaxamento de algumas das leis sobre aborto mais restritivas da Europa Ocidental na semana passada. Desde então, a pressão vem aumentando para que May intervenha e amplie os direitos ao aborto na Irlanda do Norte, onde a interrupção da gravidez só é permitida quando a vida da mulher está em perigo ou se ela correr um risco grave para sua saúde física ou mental.

Quando a Irlanda aprovar uma nova lei sobre o assunto, a Irlanda do Norte será a única parte das ilhas britânicas com uma política sobre aborto tão restritiva.

O assunto apresenta um dilema para May, que se diz feminista e criou a Women2Win para ajudar as candidatas conservadoras. Se decidir mudar a lei na Irlanda do Norte, ela poderia alienar o Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês), de cujos votos ela precisa para que sua agenda seja aprovada pelo Parlamento.

'Esperança'

Depois do referendo na Irlanda, Penny Mordaunt, ministra responsável pelas mulheres e pela igualdade no governo de May, tuitou que aquele foi um dia "de esperança" para a Irlanda do Norte e que a "esperança precisa se concretizar". Nicky Morgan, Amber Rudd, Justine Greening e Maria Miller, todas ex-ministras da pasta, apoiam a mudança da lei na província, segundo o Sunday Times.

Outra complicação é que o DUP e o Sinn Féin não conseguiram fechar um acordo para compartilhar o poder desde que a assembleia regional foi suspensa, em janeiro do ano passado. A administração da Irlanda do Norte é dirigida por funcionários públicos há 16 meses, e não há sinais de que o executivo com poder compartilhado será reestabelecido no futuro próximo.

"Nosso foco é restaurar um governo regional autônomo com responsabilidade democrática na Irlanda do Norte, para que políticos com responsabilidade local possam tomar decisões em nome da população que representam", disse Slack.

Título em inglês:May Insists Abortion Issue Is for Northern Ireland to Decide

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