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Banco de mulheres quer concorrer com gigantes da África do Sul

Roxanne Henderson

14/06/2018 14h15

(Bloomberg) -- Após mais de uma década durante a qual os maiores bancos da África do Sul não tiveram que enfrentar a chegada de nova concorrência, agora os novos rivais estão se multiplicando.

O mais recente, a Young Women in Business Network Cooperative Financial Institution, pretende se tornar o primeiro banco do país a pertencer a mulheres, e deixar de ser uma instituição cooperativa que só pode oferecer serviços a seus membros, disse a diretora-gerente Nthabeleng Likotsi, 33, por telefone. O alvo serão operadores informais e donos de empresas negros, que as entidades tradicionais têm evitado, disse ela.

A YWBN se junta a pelo menos outras três empresas que planejam desafiar os cinco principais credores do país, entre os quais estão o FirstRand e o Standard Bank Group. Juntos, esses bancos controlam mais de 90 por cento dos ativos bancários e dominam o cenário local, com muitos caixas eletrônicos e agências em todo o país, oferecendo todo tipo de serviço, desde cadernetas de poupança e cartões de crédito até empréstimos empresariais e serviços de gestão de riqueza privada.

"A concorrência é saudável e acreditamos firmemente que este país precisa ter mais bancos", disse Likotsi. "Os bancos não entendem os empreendedores negros. O poder está no setor informal, que não foi totalmente ativado, e os bancos não estão prestando toda a atenção nisso."

Poder oculto

A YWBN espera se diferenciar visando indivíduos que estão fora da economia formal, como vendedores ambulantes e motoristas de micro-ônibus, bem como fundos de poupança comunitários conhecidos como stokvels, disse Likotsi.

"Se eu quiser levantar um milhão rapidamente, eu posso falar com um milhão de sul-africanos e pedir uma contribuição a cada um", disse ela. "Esse é o poder. O poder está nos stokvels, o poder está nos ambulantes, o poder está nos taxistas. Nós acreditamos nesse setor informal."

A empresa apresentará seu pedido de concessão de licença na sexta-feira indo dos escritórios da presidência da África do Sul, nos Union Buildings da capital, Pretória, até os escritórios do banco central na tentativa de criar consciência sobre a necessidade de acelerar o empoderamento econômico dos negros, disse ela. O objetivo é se tornar um banco de poupança mútua, que pode receber dinheiro dos depositantes, que se tornam membros com direito a voto na empresa.

Mais de 24 anos após o fim da segregação racial, os conselhos da África do Sul ainda são dominados por homens brancos, que também ganham mais, segundo estudo feito pela Statistics South Africa. Pelo menos 60 por cento dos membros da YWBN são mulheres negras e a cooperativa tem 550 acionistas com 40 milhões de rands (US$ 3 milhões) em capital social, disse Likotsi.

A YWBN levantará fundos de dois investidores para aumentar seus níveis de capital, disse ela, preferindo não identificá-los enquanto o pedido não for concluído. Inicialmente o banco será administrado de sua base em Johannesburgo mediante canais digitais e depois abrirá agências em outros lugares no terceiro ano de operações, disse ela.

--Com a colaboração de Renee Bonorchis.

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