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Jerome Powell assume postura popular como presidente do Fed

Jeanna Smialek

15/06/2018 14h24

(Bloomberg) -- É famosa a declaração de Alan Greenspan de que ele dominou a arte de balbuciar "com grande incoerência" quando foi presidente do Federal Reserve. Jerome Powell está tentando a abordagem oposta.

"Como a política monetária afeta a todos, quero começar com um resumo, em uma linguagem fácil, a respeito da situação da economia, do que eu e meus colegas do Federal Reserve estamos tentando fazer e do porquê", disse Powell, que assumiu a presidência do banco central dos EUA em fevereiro, no início de sua entrevista coletiva após a reunião de junho, na quarta-feira.

Essa declaração para um público mais amplo é o mais recente passo de uma evolução: os líderes do Fed têm se esforçado para conseguir uma transparência maior há anos, e agora Powell está levando a democratização um passo adiante.

Ele não é economista e usa termos concisos e simples -- o crescimento é "ótimo" e "há muitas razões para gostar" do baixo nível de desemprego. Ele minimiza a importância das relações modeladas e enfatiza os dados que tem em mãos. Ele está ampliando o número de entrevistas coletivas e o Comitê Federal de Mercado Aberto já encurtou o comunicado pós-reunião sob a chefia dele.

A mudança em prol da franqueza surge em um momento em que o Fed se aproxima de uma conjuntura política traiçoeira.

A partir do ano que vem, o banco central espera elevar os juros além do nível neutro, de forma que a política monetária deixará de impulsionar a economia e começará a freá-la. A execução de políticas rígidas tem sido uma dor de cabeça de relações públicas para o Fed em toda a sua história, e comunicar um raciocínio antecipadamente, com otimismo e de forma que a população consiga entender, pode ajudar a conter reações adversas.

"O Federal Reserve enfrenta o incrível desafio de ter que comunicar que o crescimento dos salários talvez tenha ido longe demais e que a taxa de desemprego talvez esteja baixa demais", disse Torsten Slok, economista-chefe internacional do Deutsche Bank em Nova York.

Sinal dos tempos

De certa forma, a transparência maior de Powell chega no momento certo. Ele foi indicado pelo presidente Donald Trump, que está em comunicação direta e constante com a população que o elegeu, interessada em seu estilo contundente. A exemplo de Trump, Powell acentua o lado positivo, mas também reconhece o sofrimento econômico dos americanos.

"A maioria das pessoas que quer um emprego consegue encontrá-lo", disse ele, na quarta-feira. "Estamos muito cientes de que existem bolsões de pessoas que não sentiram" a recuperação, "mas, no geral, a economia está bem".

A comunicação franca e otimista pode ajudar o público a entender a lógica do Fed, mas tem seus limites.

"Falando com clareza ou não, o Fed será criticado quando começar a pisar no freio", disse Carl Riccadonna, economista-chefe da Bloomberg para os EUA. "Vão começar a jogar água fria nos ganhos econômicos da reforma tributária? O presidente Trump não ficará muito feliz."