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Leilão de vinhos exclusivos e raros evita Christie's e Sotheby's

Thomas Buckley e Thomas Mulier

15/06/2018 14h49

(Bloomberg) -- Os vinhos da Borgonha de Henri Jayer são cobiçados por expressar sedutoramente as uvas pinot noir dessa região francesa e por sua escassez. Jayer faleceu em 2006 e havia produzido sua última safra cinco anos antes. Quando safras antigas aparecem em leilões, os preços podem superar US$ 15.000 por garrafa.

Portanto, os fãs se entusiasmaram com a notícia de um tesouro de vinhos de Jayer - 1.064 garrafas descobertas nas adegas do produtor de vinhos em Vosne-Romanée, uma cidadezinha na Borgonha. Segundo as filhas de Jayer, essas são as últimas que ele possuía. As garrafas agora estão armazenadas em um depósito para obras de arte e outros bens valiosos em Genebra. No domingo, os ofertantes se reunirão no Domaine de Châteauvieux, um restaurante premiado com estrelas Michelin na região produtora de vinhos da Suíça, para um leilão que deve chegar a levantar 13 milhões de francos suíços (US$ 13 milhões).

A chance de comprar um desses vinhos raros e preciosos é muito intrigante, mas a escolha do leiloeiro é ainda mais curiosa. Em vez de vender através de casas consagradas, como a Christie's ou a Sotheby's, as filhas de Jayer recorreram à Baghera Wines, fundada há três anos por um ex-funcionário da Christie's, Michael Ganne, cuja sede em Genebra é um edifício coberto de pichações perto da principal estação de trem da cidade.

"Acho que existem fontes mais conhecidas para examinar os vinhos", disse Maureen Downey, especialista em autenticação de vinhos antigos que recomendou que seus clientes evitem a venda. "Por que essas mulheres deram isso a Ganne e não à Sotheby's?"

Polêmica

Apesar de sua breve história, a Baghera já causou polêmica. Em 2016, a empresa retirou garrafas de dois leilões, inclusive um com vinhos da Domaine de la Romanée-Conti, da Borgonha, depois que Don Cornwell, um advogado de Los Angeles que trabalha com especialistas em autenticação de vinhos, questionou a autenticidade deles.

A Baghera afirma que a propriedade Romanée-Conti examinou todas as garrafas na venda e atestou a autenticidade. A empresa também afirma que reembolsaria o arrematante se os lotes comprados fossem falsos, mas que nunca precisou fazer isso.

A casa de leilão afirma que as filhas de Jayer preferiram a Baghera em detrimento de outras duas casas de leilão pela familiaridade com Ganne, que havia organizado uma venda de vinhos da propriedade quando trabalhava na Christie's. Genebra foi escolhida por ficar relativamente perto de Vosne-Romanée, a 250 quilômetros, o que reduz o risco de danos durante o transporte, afirma a Baghera.

Jayer era um "mágico" que podia transformar até mesmo alguns dos trechos mais modestos do solo da Borgonha em vinhos extraordinários, diz Giles Burke-Gaffney, diretor de compras para a região da Justerini & Brooks, uma importadora de vinhos de Jayer com sede em Londres. Para os colecionadores, o segredo é encontrar garrafas em boas condições.

O nível do vinho em algumas garrafas das safras 1976 e 1987 oferecidas pela Baghera está muito abaixo do esperado, disse Burke-Gaffney. Embora a evaporação de parte do vinho pelo envelhecimento das garrafas seja normal, níveis extraordinariamente baixos podem indicar deterioro. "Parece de fato muito dinheiro para assumir esse risco, mas nada garante que esses vinhos não estarão bons", disse Burke-Gaffney.