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Com preços de US$ 9,7 mi cada, jatos privados atraem compradores

Thomas Black

19/06/2018 13h00

(Bloomberg) -- Se alguém estiver procurando mais evidências da força da economia dos EUA, aqui vai um sinal: indivíduos ricos e empresas estão começando a adquirir jatos privados usados antes que eles fiquem caros demais.

Steven Myers é um exemplo. Financiador de private equity e piloto licenciado, Myers procurou pacientemente um jato para comprar durante anos. Quando começou a notar uma queda no número de aviões à venda, há alguns meses, ele agiu rapidamente para comprar um Cessna CJ2. (Myers não revela quanto pagou, mas o modelo 2002 que comprou está tabelado em cerca de US$ 2,4 milhões).

"Com este avião, em particular", disse Myers, que dirige a Dolphin Capital Holdings, com sede em Los Angeles, "eu provavelmente teria feito um negócio pior se tivesse esperado".

O negócio de jatos privados entrou em colapso após a recessão de 2008, quando as empresas reduziram as viagens para cortar custos. Os preços haviam sido levados a níveis astronômicos no momento de expansão anterior e foram fabricados aviões em excesso. Após o colapso, as aeronaves de segunda mão perderam valor rapidamente.

Mas agora os compradores estão saindo do esconderijo, incentivados pela expansão dos negócios e pelos impostos corporativos mais baixos. Ajuda o fato de que o presidente dos EUA, Donald Trump, há tempos sinônimo de jatos privados de luxo, seja visto como alguém amigável ao setor. Barack Obama muitas vezes criticou as viagens em aviões privados, o que ajudou a manter o setor de jatinhos em uma baixa mais longa do que a maioria dos segmentos de luxo da economia, como os de relógios e de carros esportivos.

Sensação de urgência

Os preços certamente continuam baixos em comparação com a época de auge, mas os aviões já não ficam meses com o cartaz de "vende-se". Os compradores de jatos usados foram tomados por uma sensação de urgência que não era sentida desde o colapso financeiro.

Em abril, o preço médio pedido pelos jatos usados, dos pequenos aos de grande porte, subiu 1,5 por cento em relação ao mês anterior, para US$ 9,7 milhões, segundo o JPMorgan Chase. O preço subiu mais 2,4 por cento em maio. Ainda assim, os preços dos jatos usados caíram quase 25 por cento desde o terceiro trimestre de 2015, segundo o relatório.

O pequeno aumento é um alívio para as fabricantes de jatos executivos, como Bombardier, Embraer e Dassault Aviation. Estas empresas haviam reduzido as taxas de produção e oferecido descontos para conter o excesso de aeronaves. As entregas de jatos novos despencaram para 874 em 2009, contra um recorde de 1.317 no ano anterior. Apesar de as vendas continuarem fracas, totalizando 676 jatos no ano passado, a escassez de aeronaves baratas e quase novas começa a levar os compradores a adquirir aviões novos, afirmam corretores e analistas.

"Sem dúvida, vemos menos concorrência pelo lado dos usados", disse Scott Donnelly, CEO da Textron, a fabricante dos jatos Cessna, em teleconferência com analistas, em abril. "Com certeza não foi o número deles que há por aí que criou problemas para nós em termos de vendas de aeronaves novas no passado."

--Com a colaboração de Frederic Tomesco.

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