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Indústria farmacêutica enfrenta desafio: encontrar pacientes

Naomi Kresge e Michelle Fay Cortez

20/06/2018 15h57

(Bloomberg) -- As maiores empresas farmacêuticas do mundo, que querem vender um novo tipo de medicamento contra o câncer que pode transformar o tratamento, estão enfrentando um desafio incomum: encontrar pacientes.

Os novos medicamentos visam reduzir os tumores, tendo como alvo uma anomalia genética rara -- presente em tumores de 1.500 a 5.000 pacientes nos EUA anualmente -- que pode estimular o crescimento do câncer. A Bayer está na frente com uma droga que poderia começar a ser vendida no fim do ano. A Roche Holding tem o mesmo objetivo.

Esses possíveis tratamentos só serão um sucesso comercial se médicos e seguradoras adotarem testes novos e caros. Na terça-feira, a Roche concordou em gastar US$ 2,4 bilhões para obter o controle de uma empresa que fabrica esses produtos. Para identificar um único candidato possível, os médicos terão de analisar o DNA de cerca de 100 pacientes a um custo de milhares de dólares por pessoa.

"A questão do acesso é saber se um médico decidirá ou não fazer o teste", disse Fabrice André, professor no departamento de Oncologia Médica no Institut Gustave Roussy, perto de Paris. "Qual vai ser a razão que os médicos vão dar para prescrever um teste que detecta 1 por cento da população?"

Transformação

Há mais coisas em jogo do que o sucesso de duas drogas novas concorrentes: ao mesmo tempo em que a Bayer e a Roche se preparam para promover testes mais abrangentes, elas podem ajudar a transformar a maneira em que o câncer é diagnosticado -- e vender tratamentos novos e lucrativos. O teste de dezenas ou centenas de fusões e mutações de genes dará aos médicos as ferramentas necessárias para definir os tumores de acordo com a assinatura genética de cada um e não apenas pela localização no corpo -- pulmões, pâncreas ou mama.

As terapias de ambas as empresas têm como alvo uma anomalia genética chamada fusão TRK, na qual dois genes se juntam para estimular a produção de proteínas que fazem o câncer crescer. A dificuldade para encontrar pacientes é uma das razões pela qual a Loxo Oncology optou pela parceria com a Bayer para a larotrectinib, disse Jacob Van Naarden, diretor de negócios da empresa americana de biotecnologia. Os oncologistas normalmente se concentram em tumores em uma área específica, poucos têm treinamento em testes moleculares e muitos nunca ouviram falar da fusão TRK, disse Van Naarden.

A Bayer fará lobby em sociedades médicas como a National Comprehensive Cancer Network, dos EUA, para que sejam publicadas diretrizes que orientem os médicos a testar especificamente as fusões em certos pacientes com tipos mais raros de câncer, como algumas formas infantis e sarcomas. Além disso, a empresa está conversando com centros médicos e empresas de diagnóstico para garantir que as variantes necessárias sejam incluídas em testes de sequenciamento mais amplos.

Existe um precedente de um tipo de medicamento contra o câncer que mudou a maneira em que os médicos definem os tumores. Quando a Roche apresentou o Herceptin, seu medicamento muito bem-sucedido contra o câncer de mama, há cerca de duas décadas, poucos oncologistas sabiam checar se os pacientes tinham a proteína HER2 que determina se o medicamento funcionará. Atualmente essa é uma das partes mais importantes do processo de diagnóstico.

--Com a colaboração de John Lauerman.

Repórteres da matéria original: Naomi Kresge em Berlin, nkresge@bloomberg.net;Michelle Fay Cortez em Mineápolis, mcortez@bloomberg.net

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