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Setor financeiro explica problemas a traders de criptomoedas

Benjamin Robertson

20/06/2018 15h55

(Bloomberg) -- Se os mercados de criptomoedas quiserem deixar de ser coadjuvantes e se tornar protagonistas do setor financeiro, eles precisarão fazer algumas mudanças.

É o que afirma um novo relatório sobre melhores práticas para as bolsas de ativos digitais, que vêm sendo perseguidas por diversos tipos de problemas, como manipulação dos mercados, roubos cibernéticos e dados questionáveis. Elaborado pela Asia Securities Industry & Financial Markets Association (Asifma), que conta com membros como Goldman Sachs Group e BlackRock, o relatório é o primeiro do tipo feito por um grande grupo do setor financeiro.

Algumas lições do relatório da Asifma:

Frequentemente, bolsas de criptomoedas desempenham diversos papéis, como mercados, corretores, custódios e operadores com recursos próprios, o que pode provocar conflitos de interesse;

É preciso melhorar o policiamento de esquemas "pump-and-dump", spoofing e outras formas de manipulação dos mercados;

O mercado precisa de uma infraestrutura melhor, inclusive de serviços de custódia e transmissões confiáveis de dados;

O mercado deve se empenhar para que os emissores de moedas façam divulgações apropriadas, para policiar o uso abusivo de informações privilegiadas, pesquisas independentes e agências de classificação de risco independentes;

As bolsas deveriam divulgar publicamente seus requisitos de listagem e cobrar uma taxa única para os pedidos de listagem.

Momento fundamental

O setor financeiro pondera sobre as bolsas de criptomoedas em um momento em que investidores começam a entrar em um mercado que chamou a atenção do mundo quando o bitcoin e moedas afins dispararam no ano passado. O aumento do interesse de gestores profissionais de recursos é um pilar fundamental dos argumentos de otimistas em defesa das moedas virtuais, mas a falta de fé nos locais de trading de ativos digitais afasta muitos investidores.

"Gostaríamos de ver o setor amadurecer", disse Mark Austen, CEO da Asifma, em entrevista por telefone.

As recomendações do grupo, que ainda não foram respaldadas por nenhum governo, chegam em um momento em que autoridades monetárias de todo o mundo tentam definir como policiar mercados de criptomoedas originalmente pensados para contornar a intervenção estatal.

Na Ásia, onde grande parte do trading do planeta ocorre, as respostas dos órgãos reguladores têm variado: a China baniu as bolsas de criptomoedas; o Japão e a Austrália lhes permitiram operar sob supervisão do governo; a Coreia do Sul ainda está debatendo sua abordagem. As autoridades dos EUA ainda não formularam uma estratégia regulatória abrangente, embora promotores tenham reprimido emissões iniciais de moedas fraudulentas e abriram uma investigação criminal sobre manipulação do mercado de criptomoedas.

As primeiras reações às recomendações da Asifma entre as bolsas de criptomoedas foram variadas. Duas bolsas com sede em Hong Kong, a Gatecoin e a ANX International, apoiaram as conclusões do relatório, embora o cofundador da ANX, Hugh Madden, tenha dito em entrevista que nem todas as sugestões eram imediatamente práticas.

Arthur Hayes, CEO da Bitmex, discordou da observação da Asifma de que conflitos de interesse surgem quando as bolsas desempenham diversos papéis que normalmente estão segregados nos mercados financeiros maduros. Hayes, cuja empresa foi criticada por dirigir tanto um mercado de criptomoedas quanto uma formadora de mercado com fins lucrativos, disse que essa organização beneficiou os investidores.

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