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Montadora do iPhone se irrita com limites de horário na China

Debby Wu

22/06/2018 12h10

(Bloomberg) -- O bilionário chefe da Foxconn Technology, a maior montadora do iPhone, da Apple, argumenta que as restrições "pouco razoáveis" da China às horas extras prejudicam seus funcionários e a competitividade da empresa.

Ao comentar as críticas de que a Foxconn faz seus funcionários trabalharem demais para fazer frente ao aumento da demanda antes da temporada anual de compras do fim do ano, Terry Gou disse aos acionistas que os funcionários na verdade querem trabalhar mais horas e que forçá-los a trabalhar menos diminui a renda deles.

A Foxconn, que é a maior empregadora privada da China, com cerca de 1 milhão de funcionários, tem sido criticada há anos por práticas como permitir o aumento das horas extras durante a alta temporada, quando a empresa amplia fortemente a produção para colocar aparelhos no mercado a tempo das festas de fim de ano. No entanto, Gou disse que essa era a prática normal em outras partes do mundo e destacou que o maior desafio da Foxconn atualmente não era a mão de obra, mas as tensões entre os EUA e a China, que ameaçam subverter a cadeia de abastecimento global.

"Temos uma série de planos de resposta", disse Gou, na assembleia anual de acionistas da Hon Hai Precision Industry, a principal unidade de capital aberto da Foxconn. "A guerra comercial não tem a ver com comércio. É uma guerra tecnológica e industrial."

A crescente capacidade econômica e tecnológica da China é parte central da disputa com os EUA que, embora travada por meio de tarifas comerciais retaliatórias, também visa a abrir o país asiático para as empresas americanas e restringir o uso de ajuda do governo para promover setores estrategicamente importantes. No entanto, Gou evitou criticar qualquer um dos lados das negociações atuais, deixando os comentários mais duros para a legislação trabalhista local.

Gou argumentou que a Foxconn deveria ser regida pelos regulamentos americanos porque, na condição de maior fabricante terceirizada de eletrônicos do mundo, grande parte de seus clientes, como Apple e Amazon.com, é americana. Além disso, o CEO repetiu a promessa de usar robôs para substituir 80 por cento dos trabalhadores nos próximos anos como possível solução.

"A China tem regras mais duras para as horas extras do que os EUA e a União Europeia e entende que essas regras são pouco razoáveis, que essas leis são pouco razoáveis", disse Gou. "Neste momento de baixa temporada estamos seguindo os regulamentos da China e na alta temporada seguimos os regulamentos dos EUA."

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