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Trotskista que domina futebol espanhol está de olho na França

Rodrigo Orihuela

25/06/2018 14h35

(Bloomberg) -- Na década de 1970, Jaume Roures foi militante de um núcleo revolucionário trotskista e admirador de Fidel Castro. Na década seguinte, foi preso por hospedar em seu apartamento um suspeito de participar do grupo terrorista basco ETA. No ano passado, a subsidiária da empresa dele nos EUA foi investigada (mas não acusada) pelo FBI em um caso envolvendo corrupção no futebol internacional.

Sua Mediapro domina os direitos globais de transmissão das partidas dos principais times espanhóis e os direitos de transmissão da Champions League na Espanha. Em maio, a Mediapro deu o maior lance para televisionar partidas jogadas na França, tornando Roures o principal distribuidor de duas das cinco principais ligas da região. A empresa também participou de leilões na Itália, mas perdeu para a Sky.

"Sabemos desenvolver programas ótimos que são competitivos globalmente", disse Roures em entrevista realizada em Madri. "Isso é bom para o futebol porque o produto melhora e vale mais, e bom para a TV porque mais gente quer assistir."

A Mediapro se diferencia pela presença mínima em transmissão. A empresa revende direitos ? muitas vezes para as mesmas companhias que derrotou em leilões. Segundo Roures, os direitos envolvendo futebol representam um terço da receita da Mediapro, que também opera canais para a ESPN na América Latina e está construindo na China um parque temático inspirado no jogador argentino Lionel Messi. A companhia também está finalizando documentários sobre futebol para a Amazon.com e produziu o documentário do cineasta Oliver Stone sobre Fidel Castro e um filme de Woody Allen (Vicky, Cristina, Barcelona).

A Vivendi perdeu para a Mediapro na França e alega que Roures não tem retaguarda financeira para cobrir lances. No ano passado, a Mediapro apresentou lucro operacional de 187 milhões de euros sobre receita de 1,6 bilhão de euros. A Mediapro "não sabe o valor desses direitos", disparou Maxime Saada, responsável pelo Canal+, da Vivendi.

Roures garante que tem dinheiro para cumprir suas obrigações contratuais e que pode trabalhar com os clubes para desenvolver fontes de receitas e diminuir a diferença de recursos financeiros entre os principais times e o resto.

Hoje com 68 anos, Roures participou de um grupo comunista proibido pelo regime de Francisco Franco. Ele afirmou ter passado mais de dois anos preso "por minhas ideias políticas". Após a morte de Franco, em 1975, Roures conta que passou dois anos na Nicarágua para apoiar a revolução sandinista.

Nos últimos anos, ele tem se mostrado ardente defensor do direito de independência da Catalunha.

Em 1984, Roures foi contratado para trabalhar como produtor na TV estatal da Catalunha. Promovido, ele ajudou a negociar os direitos de transmissão para o FC Barcelona. Seus parceiros nessas negociações eram Taxto Benet e Gerard Romy, que se tornaram seus sócios na fundação da Mediapro, em 1994.

Os três trabalharam juntos até fevereiro, quando Romy vendeu a parte dele para a firma chinesa de private equity Orient Hontai. Romy dirigia a subsidiária da Mediapro nos EUA quando o FBI envolveu a operação nas investigações sobre corrupção na FIFA. "O tema está sob controle", disse Benet em janeiro. "Foi resolvido. Não estamos preocupados."

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