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Family offices contratam executivos e esquentam concorrência

Simone Foxman

26/06/2018 12h37

(Bloomberg) -- Esta é uma das áreas mais aquecidas da área de finanças: convencer famílias ricas de que elas se beneficiarão com conselhos não apenas para administrarem seu dinheiro, mas também para outras áreas, por exemplo para doações à caridade e para preparar a próxima geração para assumir os negócios.

Os motivos são óbvios. A América do Norte tem o maior número de ricos do mundo, mais de 200.000 pessoas com riquezas de pelo menos US$ 20 milhões, segundo a Boston Consulting Group. A firma prevê a geração de pelo menos US$ 20 trilhões em novas riquezas financeiras nos próximos cinco anos. Além disso, o grupo com patrimônio líquido ultraelevado está à procura de algo mais do que as assessorias-robôs ou os últimos ETFs, oferecendo uma oportunidade para que bancos e consultores ganhem comissões.

A mais nova participante é a Cresset Capital Management, uma firma de investimentos criada por ex-executivos de private equity em Chicago. A empresa está contratando dois executivos bancários para criar um family office -- Michael Cole, que fundou e comandou a unidade de patrimônio líquido ultraelevado Ascent Private Management Management no U.S. Bank, e Kevin Long, diretor sênior de desenvolvimento de negócios do Abbot Downing, pertencente ao Wells Fargo, em que os clientes precisam de um mínimo de US$ 50 milhões em ativos investíveis.

O Cresset Family Office, administrado por Cole, oferecerá serviços como planejamento de riqueza e tributário, filantropia, assessoria de governança e gerenciamento de riscos. A unidade expande a oferta da Cresset além da assessoria de riqueza de US$ 2 bilhões criada no ano passado e da Cresset Partners, que detém os investimentos da empresa em private equity e imóveis.

Os bancos vêm perdendo alguns de seus consultores de riquezas mais experientes e rentáveis para novas empresas. Nos últimos três anos, os ativos de patrimônio líquido ultraelevado administrados por escritórios multifamiliares independentes cresceram 10 por cento em média a cada ano, cerca de cinco vezes mais rapidamente do que os ativos mantidos em bancos privados, estima a Cerulli Associates. Uma porta-voz do Abbot Downing disse que os ativos cresceram mais de 40 por cento desde a criação da marca, em 2012.

Entre as saídas mais destacadas estão as de Frank Ghali, do Goldman Sachs, que administrou cerca de US$ 10 bilhões em ativos de clientes antes de deixar o banco para fundar a Jordan Park Group, no ano passado. Em 2016, Margaret Dechant levou sua equipe de 13 pessoas do Morgan Stanley, que à época gerenciava US$ 2 bilhões, e criou a 6 Meridian.

"Muitos produtos e serviços que eram território de grandes bancos agora estão disponíveis em empresas butique", disse Cole, mencionando processos administrativos como os relatórios, que foram barateados pela tecnologia. Os bancos, por sua vez, enfrentam dificuldades com custos regulatórios e operações abrangentes.

A Cresset, nome que faz referência à taça que sustenta a chama em uma tocha, foi criada pelo cofundador da Sterling Partners Eric Becker e por Avy Stein, cofundador da Willis Stein & Partners. A insatisfação da dupla com as ofertas existentes para investir sua fortuna os levou a montar sua própria operação.

Becker afirma que Cresset pretende preencher uma lacuna no setor para as famílias que buscam serviços "holísticos" e oportunidades como investimentos diretos. "Percebemos que este setor está mudando e precisa mudar", disse.

--Com a colaboração de Tom Metcalf.

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