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BMW será 1ª estrangeira a controlar JV na China: Fontes

Bloomberg News

12/07/2018 16h49

(Bloomberg) -- A BMW está prestes a se tornar a primeira fabricante estrangeira de carros do mundo a assumir o controle majoritário de sua joint venture na China em um momento em que o país abre um de seus maiores setores para a propriedade estrangeira, apesar da piora da guerra comercial com os EUA.

A segunda maior fabricante de carros de luxo do mundo planeja apresentar em breve a nova estrutura de propriedade de sua joint venture com a Brilliance China Automotive Holdings, de acordo com uma pessoa a par do plano, que pediu para não ser identificada porque o acordo ainda é confidencial. A BMW é a maior exportadora de veículos dos EUA para a China, o que a coloca entre as principais empresas mais expostas a uma guerra comercial.

A BMW detém atualmente uma participação de 50 por cento da parceria. Pequim anunciou em abril que eliminará o limite para a propriedade estrangeira e que todas as mudanças para as ventures de carros de passageiros entrarão em vigor em 2022. As ações da Brilliance e da BAIC Motor, parceira da Daimler, caíram devido à preocupação de que um maior controle por parte das montadoras estrangeiras significa que elas perderão lucros futuros. A China é o maior mercado para muitas marcas, entre elas Volkswagen, Audi, BMW e Mercedes-Benz, da Daimler.

Guerra comercial

A BMW preferiu não comentar o estado das discussões. A Brilliance, que agora possui 40,5 por cento da venture, não respondeu imediatamente a um telefonema e a um e-mail com pedidos de comentários. A empresa alemã deve aumentar sua participação na venture para pelo menos 75 por cento, informou a Manager Magazin. A Daimler afirmou que está muito satisfeita com suas parcerias na China e que está acompanhando de perto as novidades em matéria de regulação.

Possuir uma fatia maior da BMW Brilliance Automotive viria em um momento oportuno para a BMW. A previsão é de que a empresa exportará para a China cerca de 70.000 veículos utilitários esportivos (SUV, na sigla em inglês) de sua fábrica nos EUA, onde fabrica SUVs para o mercado global. Esses veículos pagam uma tarifa adicional à importação de 25 por cento desde 6 de julho, depois que a China retaliou as restrições comerciais impostas pelos EUA. A Daimler, que também exporta SUVs dos EUA para a China, já emitiu um alerta sobre os lucros há algumas semanas, citando o risco de queda na demanda dos consumidores chineses por SUVs fabricados nos EUA.

A medida da BMW viria na esteira do plano da China de flexibilizar as restrições à propriedade estrangeira no país, com a possibilidade de que as montadoras estrangeiras possam finalmente comprar suas parceiras locais. A China anunciou em abril que eliminará o atual limite de 50 por cento de propriedade das ventures de carros elétricos a partir deste ano. No caso dos veículos comerciais, o limite será eliminado em 2020 e o limite para veículos de passageiros acabará em 2022, afirmou a China na época.

Na terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou em comunicado que a China e a Alemanha "chegaram pela primeira vez a um acordo sobre o aumento da participação das empresas automotivas alemãs nos projetos de investimento conjunto na China". A BMW seria o primeiro exemplo de uma empresa a possuir uma participação superior a 50 por cento, afirmou o ministério.

--Com a colaboração de Yan Zhang.

To contact Bloomberg News staff for this story: Ying Tian em Pequim, ytian@bloomberg.net