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Ataque da UE contra Android pode ajudar aplicativos rivais

Natalia Drozdiak e Aoife White

16/07/2018 14h17

(Bloomberg) -- Os recentes problemas do Google na União Europeia poderiam representar uma oportunidade para os desenvolvedores de aplicativos bloqueados por contratos que pré-instalam os serviços da gigante americana nos celulares e tablets com Android, de acordo com analistas e empresas.

A unidade da Alphabet deverá receber nos próximos dias uma multa antitruste pelo uso do Android que poderia ser maior do que a penalidade recorde do ano passado, de 2,4 bilhões de euros (US$ 2,8 bilhões), por excluir as rivais de seu serviço de buscas para compras.

Mas mais importante poderia ser uma ordem anexa para permitir que as fabricantes de celulares escolham aplicativos que não são do Google para instalar em celulares com Android. Isto abriria um espaço fundamental para os desenvolvedores de aplicativos porque cerca de 80 por cento dos dispositivos móveis inteligentes usam Android.

"Isso seria uma ajuda drástica para nós", disse Gabriel Weinberg, CEO da DuckDuckGo, com sede em Paoli, Pensilvânia, nos EUA, um motor de busca que não rastreia os usuários. "Para mim fica claro que as pessoas escolheriam outras opções se fosse mais fácil escolher." A DuckDuckGo disse que não apresentou queixa à UE contra o Google por causa do esforço que isso significaria.

Contratos

A investigação da UE se centra em contratos que exigem que as fabricantes de smartphones que querem instalar a Google Play Store tenham que adicionar um pacote de serviços do Google. Embora a principal preocupação da UE esteja relacionada à pré-instalação do motor de busca do Google e do navegador Chrome, o conjunto de aplicativos também inclui os serviços de e-mail e mapas da gigante de buscas.

Os fabricantes de celulares não têm tantos incentivos para pré-instalar aplicativos concorrentes em seus dispositivos se os do Google já estão instalados, de acordo com a UE. As autoridades europeias receiam que os usuários mantenham os aplicativos pré-determinados que recebem nos celulares, o que reforçaria o domínio do serviço de buscas do Google.

O Google domina as buscas em dispositivos móveis na Europa, com 97% do mercado, e o navegador Chrome tem 64% de participação no mercado de celulares, de acordo com a StatCounter. O controle da empresa sobre os anúncios em milhões de telefones Android ajudará a capturar um terço de todos os anúncios móveis globais em 2018, gerando cerca de US$ 40 bilhões em vendas fora dos EUA, disse a empresa de pesquisa eMarketer

O correio eletrônico "é provavelmente o mais vulnerável para o Google", de acordo com Daniel Gleeson, analista sênior da empresa de pesquisa Ovum, se as fabricantes de dispositivos usarem outros aplicativos de e-mail como o Outlook, da Microsoft, nas configurações pré-estabelecidas, no marco de contratos mais flexíveis com o Google após a decisão da UE. Há "muito potencial nos mapas", disse ele, se outros aplicativos ganharem terreno contra o Google Maps e receita de publicidade com os serviços de localização, citando a Here Technologies como possível rival.

O Google e a Comissão Europeia, com sede em Bruxelas, preferiram não comentar esta matéria. A Microsoft preferiu não comentar sobre possíveis oportunidades para seus serviços. A Here Technologies não respondeu a um pedido de comentários.

Alguns analistas veem poucas possibilidades de um aumento da concorrência em mercados onde o Google está muito consolidado.

"Esta ordem vai chegar tarde demais, porque o usuário trocou a [Play] store pelos serviços do Google", disse Richard Windsor, proprietário da empresa de pesquisa Radio Free Mobile. "Vai ser difícil" para qualquer um criar um leque de produtos melhor do que o do Google.

--Com a colaboração de Mark Bergen e Ilya Khrennikov.

Repórteres da matéria original: Natalia Drozdiak em Bruxelas, ndrozdiak1@bloomberg.net;Aoife White em Bruxelas, awhite62@bloomberg.net