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Prime Day da Amazon se torna evento de compras imperdível

Spencer Soper

18/07/2018 12h23

(Bloomberg) -- O quarto evento anual Prime Day, da Amazon.com, atraiu compradores de todo o mundo, o que destaca como a promoção deixou de ser uma venda de produtos obscuros e evoluiu para 36 horas de descontos em grandes marcas, como malas Samsonite, tacos de golfe Callaway e cereais General Mills.

Trata-se de um forte contraste com o primeiro Prime Day, em 2015, quando os clientes reclamaram nas redes sociais das ofertas decepcionantes, que pareciam mais uma liquidação de estoque. A variedade de produtos deste ano demonstra a alavancagem que a gigante do comércio eletrônico tem ao fornecer acesso a seus fiéis assinantes Prime, que pagam taxas em troca de descontos no frete, streaming de vídeo e outros benefícios. Muitas marcas decidiram que é mais inteligente oferecer grandes descontos e pagar à Amazon pela publicidade para ganhar vendas no site do que ficar de fora de um evento que deve gerar US$ 3,4 bilhões em gastos.

Procter & Gamble ofereceu 25 por cento de desconto nos produtos de lavanderia Tide. Callaway Golf chegou a oferecer 50 por cento de desconto em tacos de golfe e acessórios, e a Under Armour deu descontos de cerca de 40 por cento em roupas e tênis, segundo dados da Boomerang Commerce, que ajuda marcas a definir os preços de produtos e de anúncios na loja virtual.

"Essa relação simbiótica entre a Amazon e marcas líderes legitima o Prime Day, assim como as marcas que tentam aprimorar seriamente sua presença no comércio eletrônico", disse Guru Hariharan, CEO da Boomerang.

A Amazon não divulga os números de vendas do Prime Day. Os gastos aumentaram 89 por cento em relação ao ano anterior durante as primeiras 12 horas do evento, de acordo com estimativas da Feedvisor, que vende o software de precificação usado por comerciantes da Amazon. O aumento de vendas ocorreu apesar das falhas técnicas que prejudicaram as primeiras horas da promoção. Muitos consumidores se decepcionaram porque não conseguiram adicionar produtos ao carrinho ou suas tentativas de pesquisar mercadorias geraram uma página de erro com fotos de cachorros.

A Amazon admitiu os problemas, mas ainda não explicou a causa do colapso. Uma possibilidade é que o site tenha sido atacado por bots projetados para arrebatar ofertas para que os compradores possam vender os produtos em outro lugar, ou por bots projetados para bloquear estoques a fim de proteger os preços de um produto em outros sites, disse Ben Zilberman, gerente de marketing da Radware, uma empresa de segurança cibernética em Israel. Ataques de bots são comuns em sites de varejo durante grandes promoções, e a Amazon estabeleceu muitos "captchas" para distinguir seres humanos de robôs durante a venda, um sinal de que estava se defendendo do tráfego de bots, disse ele.

"Quando o tráfego chega em volumes tão altos, fica difícil executar a segurança para distinguir entre um cliente comum e um bot", disse Zilberman. "Grande parte do tráfego em sites de varejo é de bots, às vezes 75 por cento."

A enxurrada de tráfego é boa para os negócios de publicidade da Amazon, que crescem rapidamente e são uma fonte de receita lucrativa que complementa seus negócios de e-commerce, que têm margem baixa devido aos altos custos de frete. Marcas e comerciantes compram publicidade para ganhar destaque no site, o que ajuda a Amazon, que tem sede em Seattle, a ganhar mais dinheiro com sua famosa plataforma. A Amazon é o quarto site mais popular nos EUA, atrás do Google, do Facebook e do serviço de vídeo YouTube, pertencente ao Google.