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Gigantes tech investem dinheiro e talentos em robôs domésticos

Mark Gurman

24/07/2018 15h27

(Bloomberg) -- Escritores de ficção científica e tecnólogos anunciam a chegada dos mordomos-robôs há quase um século. Mas por enquanto, os robôs domésticos são relativamente banais: cachorros, aspiradores de pó, cortadores de grama.

E a Rosie, a famosa robô de "Os Jetsons"? Ainda não. Mas isso pode mudar em breve. Nos bastidores, as grandes empresas de tecnologia estão financiando projetos secretos para fabricar robôs. A Amazon.com Inc. está trabalhando em uma versão robotizada do seu alto-falante ativado por voz Echo há algum tempo e neste ano começou a colocar mais dinheiro e mais pessoas no projeto. A Alphabet também está trabalhando em robôs e a fabricante de smartphones Huawei Technologies está fabricando um modelo para o mercado chinês que ensinará as crianças a falar inglês.

Nenhum desses robôs é capaz de arrumar o seu armário ou de fazer coquetéis, mas os avanços em inteligência artificial, processadores e visão computacional significam que máquinas mais simples podem começar a aparecer nos próximos dois anos, de acordo com pessoas a par dos programas secretos das empresas. Se os robôs atrairão ou não os consumidores imediatamente é algo quase irrelevante, porque essas companhias poderão se gabar e obter uma vantagem na corrida para criar autômatos verdadeiramente úteis.

"Os robôs são a próxima revolução", disse Gene Munster, cofundador da Loup Ventures, que estima que o valor do mercado americano de robôs domésticos quadruplicará, para mais de US$ 4 bilhões, até 2025. "Sabe-se que será um grande negócio porque as empresas com os maiores balanços estão entrando no jogo."

Interesse

Muitas empresas já tentaram fabricar robôs domésticos. Nolan Bushnell, cofundador da Atari, apresentou o Topo Robot, um robô de 1 metro de altura com forma de boneco de neve, em 1983. Embora ele pudesse ser programado para andar por um computador Apple II, não fazia quase nada e teve poucas vendas. Iniciativas posteriores para criar assistentes robóticos úteis nos EUA, no Japão e na China tiveram um desempenho apenas marginalmente melhor. A Roomba, da IRobot, é a mais bem-sucedida, tendo vendido mais de 20 milhões de unidades desde 2002, mas só faz uma coisa: aspirar pó.

Mais recentemente, a Sony e a LG Electronics se mostraram interessadas na categoria. Em janeiro, na Consumer Electronics Show em Las Vegas, a LG exibiu um robô chamado Cloi, mas a demonstração fracassou porque o robô não obedeceu aos comandos de voz. A Sony apresentou uma nova versão de seu cachorro-robô Aibo, apresentado originalmente 20 anos atrás. Ele não faz muito mais do que latir (embora o Aibo tenha sido programado para jogar futebol). Além disso, o robô canino custa US$1.800, mais ou menos o mesmo preço de um cachorro de raça de verdade.

A Amazon é provavelmente a empresa que está mais avançada. O trabalho da Alphabet ainda está na etapa inicial de desenvolvimento, ao passo que a gigante do comércio eletrônico já está conversando com parceiros de fabricação. Charlie Duncheon, um respeitado especialista em robótica e automação que dirigiu a fabricante de robôs Grabit, diz que a Amazon tem uma vantagem porque pode combinar os atributos de navegação dos robôs Kiva que correm pelos seus depósitos com a inteligência ativada por voz da Alexa.

Mas para mudar realmente o mundo, disse Duncheon, a Amazon e suas rivais terão que dominar o conhecimento de braços e mãos articulados capazes de manipular objetos. Essa tecnologia existe e está melhorando constantemente, mas conseguir diminuir suficientemente os custos para atingir um mercado de consumo de massa ainda vai demorar muitos anos. Por enquanto, a Rosie continuará sendo apenas um desenho animado.