PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Biogen não resolve quebra-cabeça do Alzheimer: Bloomberg Opinion

Max Nisen

26/07/2018 15h08

(Bloomberg) -- É difícil não se entusiasmar quando um medicamento tem um potencial bastante real de ajudar pacientes com mal de Alzheimer -- uma doença comum, devastadora e atualmente incurável. Mas é necessário se conter um pouco na hora de reagir aos resultados divulgados na quarta-feira à noite sobre o tratamento que está sendo desenvolvido pelas empresas Biogen e Eisai.

O medicamento BAN2401 mostrou que desacelera significativamente o declínio cognitivo após 18 meses de tratamento com uma alta dose -- dependendo de como é feita a medição. Independentemente do qualificador, trata-se de um resultado sem dúvida promissor, e, em alguns aspectos, os dados são melhores do que eu, que sou cético em relação aos estudos do Alzheimer, esperava. Mas muito outros testes precisam ser feitos para que se possa ter certeza sobre o resultado, e isso levará bastante tempo.

Considerando tudo, este não é o sucesso absoluto que alguns investidores esperavam, e eles já começaram a se ajustar a essa realidade. Depois de atingirem o maior patamar em três anos antes da divulgação dos resultados, as ações da Biogen caíram mais de 10 por cento nas negociações posteriores ao pregão na quarta-feira.

Há enormes variações no modo como o Alzheimer afeta as pessoas e como a doença avança, e esta é uma das razões pelas quais todos os esforços anteriores de tratamento foram grandes fracassos. Muitas decepções do passado se basearam na mesma teoria de tratamento da doença que o BAN2401, conhecida como a hipótese da cascata amilóide.

Alguns dos números divulgados no estudo mais recente são bastante impressionantes, como a descoberta de que um medicamento em alta dose desacelerava o declínio cognitivo em 30 por cento, segundo uma medida. Mas a medida em questão é um novo composto criado pela Eisai que é questionado por alguns especialistas. E a droga não atingiu relevância estatística em uma escala diferente. Além disso, segundo Asthika Goonewardene, analista de biotecnologia da Bloomberg Intelligence, o estudo registrou um desequilíbrio em determinada categoria de pacientes que pode ter afetado os resultados.

Aqueles que procuram outros motivos para criticar os dados podem encontrá-los. Como este: a dose de melhor desempenho foi ministrada a apenas 161 pacientes, e outras doses do medicamento tiveram um desempenho numericamente inferior ao placebo.

As duas empresas gostariam de levar esses dados diretamente aos órgãos reguladores e pedir aprovação. Mas há perguntas suficientes para exigir a realização de um teste de estágio final maior e mais longo. E lembre-se, o teste de estágio final do medicamento mais avançado da Biogen contra o Alzheimer começou em 2015 e provavelmente não revelará nenhum dado conclusivo antes de 2019.

Um teste maior apresenta muitos riscos, considerando o quão estranho foi o teste intermediário. Usou-se um design adaptável incomum que poderia dificultar a interpretação. Depois que uma análise preliminar do teste mostrou que ele havia fracassado, foi necessária uma abordagem estatística diferente para produzir esse sucesso.

Certamente há fatores suficientes para justificar as esperanças e também um teste maior -- e quanto mais fácil de entender, melhor.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial nem da Bloomberg LP e de seus proprietários.