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Com menos opções para Brexit, May encara alternativas arriscadas

Timothy Ross, Emma Ross-Thomas e Jessica Shankleman

27/07/2018 12h34

(Bloomberg) -- As opções do Reino Unido para o Brexit estão diminuindo e a maioria das alternativas é arriscada para a primeira-ministra Theresa May.

A União Europeia rejeitou uma parte fundamental de seu plano para um acordo comercial com o bloco, na quinta-feira, mandando-a de volta à prancheta com apenas 12 semanas para a data pensada de assinatura do acordo de divórcio.

May pensava que sua proposta aduaneira era a melhor esperança de conseguir um acordo para o Brexit que ela também pudesse vender ao dividido Parlamento em Londres. Agora, resta a ela um leque de opções desagradáveis:

- Aceitar a contraproposta da UE e permanecer na união aduaneira: isso representaria uma enorme reviravolta para May e os defensores do Brexit de seu partido provavelmente tentariam derrubá-la. As empresas ficariam satisfeitas.

- Adiar as decisões difíceis: o risco é que isso possa encorajar o Parlamento a vetar o acordo de divórcio que ela levará de Bruxelas.

- Uma eleição ou um segundo referendo: May corre o risco de perder a eleição e ela jurou não realizar outro referendo.

- Não fechar nenhum acordo: e dar início a um período de caos político, econômico e financeiro.

May está sem saída, já que todas as opções trazem o risco de ela ser derrubada. As chances de o Reino Unido sair do bloco sem nenhum acordo aumentaram.

O negociador-chefe da UE para o Brexit, Michel Barnier, sugeriu que uma maneira de sair do impasse seria o Reino Unido permanecer na união aduaneira da UE. É o que a UE quer há tempos, porque resolve alguns dos problemas -- mas não todos -- da complicada questão da fronteira irlandesa.

Há apenas uma semana Bruxelas estava oferecendo uma certa cobertura política a May. Barnier recebeu bem o novo plano do Reino Unido para o Brexit, apesar de dizer que tinha algumas dúvidas e preocupações sérias. Depois, no início da semana, May afirmou que assumiria pessoalmente o controle do processo do Brexit. Ela relegou o Departamento do Brexit, que causou problemas a ela nos últimos dois anos, em uma medida que os investidores viram como um sinal de que ela caminhava para uma separação mais branda do que a separação total que os ativistas do Brexit desejam.

Mas na quinta-feira Barnier deixou sua posição clara: rejeitou um plano que a equipe de May havia criado com o objetivo de satisfazer o maior número possível de pessoas do lado do Reino Unido. May não tem maioria parlamentar e seu Partido Conservador está dividido no que se refere à Europa. O modelo complexo, inovador e não testado permitiria que o Reino Unido fechasse acordos de livre comércio com outros países e ao mesmo tempo mantivesse um comércio livre e fácil com a UE.

Se a primeira-ministra não conseguir convencer os membros de seu próprio Parlamento a apoiar um acordo, o Reino Unido estará em vias de deixar o bloco sem acordo em 29 de março do ano que vem. Da mesma forma, a menos que ela possa aceitar um plano que a EU também aceite, ela não terá absolutamente nenhum acordo para apresentar.

--Com a colaboração de Thomas Penny e Alex Morales.

Repórteres da matéria original: Timothy Ross em Londres, tross54@bloomberg.net;Emma Ross-Thomas em Manchester, erossthomas@bloomberg.net;Jessica Shankleman em Londres, jshankleman@bloomberg.net