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Investidores pedem Zuckerberg menos poderoso no Facebook

Gerrit De Vynck e Emily Chasan

30/07/2018 11h41

(Bloomberg) — O Facebook sempre teve um líder absoluto, consolidado por uma estrutura de classe de ações que manteve o controle de voto de Mark Zuckerberg mesmo depois que ele vendeu milhões de ações. Alguns investidores reclamaram, mas a maioria ficou feliz e em silêncio enquanto as ações subiam. A queda desta semana acabou com essa dinâmica e aumentou os pedidos de mudanças no comando.

"O problema aparece na hora que as coisas vão mal", disse Brian Wieser, analista da Pivotal Research Group. Ele acha que uma mudança no comando do Facebook é inevitável e disse que os últimos números podem acelerar isso. "É realmente difícil imaginar que o status quo permaneça." Uma porta-voz do Facebook preferiu não comentar.

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Na quinta-feira, o Facebook caiu 20%, custando aos investidores US$ 120 bilhões —a maior perda em um único dia para uma ação individual na história. Os acionistas, que haviam suportado meses de debates a respeito do papel do Facebook na sociedade e da ética de seu modelo de negócio, de repente viraram as costas quando perceberam que o crescimento do principal aplicativo gerador de dinheiro do Facebook tinha se esgotado. As taxas de crescimento diminuirão em "percentuais de quase 10%" em cada um dos próximos dois trimestres, disse o diretor financeiro da empresa, David Wehner.

A perda de fé encorajou as vozes que têm pedido que Zuckerberg compartilhe uma fatia maior de seu poder de voto e entregue a função de presidente do conselho a uma figura mais independente.

"Zuckerberg responde apenas a Zuckerberg", disse Jonas Kron, diretor de defesa de acionistas da Trillium Asset Management, que apoiou uma proposta de acionistas, no ano passado, para substituição de Zuckerberg como presidente do conselho. Depois da forte queda de quinta-feira, ele recebeu novos telefonemas e emails de outros investidores com demonstrações de apoio. Ele preferiu não identificar essas pessoas.

Há mais de um ano, o Facebook e outras empresas de redes sociais estão sendo criticadas por autoridades e órgãos reguladores por permitir a proliferação de notícias falsas, trolls e manipuladores russos em seus serviços. Agora que eles estão reprimindo, isso está afetando o crescimento, assustando os investidores. Contas autênticas e informações reais podem ser boas para negócios a longo prazo. Mas, para Kron, o Facebook poderia ter evitado parte dos problemas se o poder de Zuckerberg tivesse sido supervisionado por um presidente independente do conselho.

Outras grandes empresas de tecnologia como Microsoft, Apple e Alphabet dividem as funções de CEO e presidente do conselho. O Twitter também sofreu uma queda no mercado de ações nesta semana, um declínio de 21% na sexta-feira, devido à estagnação do crescimento do número de usuários. A empresa tem aproximadamente a mesma idade do Facebook e uma mentalidade similar de liderança de fundadores, mas já conta com presidente-executivo do conselho independente.

Zuckerberg tem muito poder, disse o CEO da Calvert Research and Management, John Streur. No começo do ano, Streur estava preocupado com a abordagem do Facebook sobre a privacidade e os dados dos clientes. Em abril, quando percebeu que o envolvimento com a empresa não ia mudar muito, seu fundo vendeu as ações do Facebook.

"A estrutura de governança do Facebook continua abaixo dos padrões do setor, com uma grande parcela de autoridade concentrada no fundador e CEO", disse Streur. "Os direitos dos acionistas não são muito respeitados, os controles em relação à remuneração dos executivos são limitados e foram levantadas preocupações a respeito da eficácia da supervisão de riscos, incluindo risco à privacidade e à segurança."

(Com a colaboração de Olivia Carville, Sarah Frier e Jef Feeley)