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Polêmicas atingem Facebook onde mais dói: no crescimento

Sarah Frier

26/07/2018 10h38Atualizada em 03/06/2020 04h47

(Bloomberg) — Os escândalos do Facebook finalmente estão atingindo a empresa onde dói: o crescimento.

O desempenho financeiro do Golias das redes sociais antes parecia imune às críticas ferozes às suas políticas de conteúdo, à incapacidade de resguardar dados privados e às mudanças nas regras para os anunciantes. Mas na quarta-feira (25) o Facebook divulgou números de vendas e de crescimento dos usuários inferiores às projeções dos analistas. Os resultados do segundo trimestre deixaram os investidores confusos.

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As ações da empresa caíram 24% nas negociações posteriores ao pregão, chegando a reduzir o valor de mercado em US$ 151 bilhões em determinado momento. Nesta quinta-feira (26), registrou a maior queda já sofrida por uma empresa com ações negociadas nos EUA em um único dia.

E para aqueles que esperam uma rápida recuperação, a empresa informou a Wall Street que os números não vão melhorar neste ano. O diretor financeiro David Wehner disse que as taxas de crescimento de receita cairiam no terceiro e no quarto trimestres.

Os analistas que cobrem o Facebook mostraram surpresa e pediram diversas vezes, em uma teleconferência com executivos, mais informações a respeito de como exatamente o futuro financeiro da empresa havia mudado tão drasticamente.

"Acho que muitos investidores estão tendo dificuldades para se conformar com essa desaceleração", disse Brent Thill, analista da Jefferies, a executivos do Facebook, pedindo um pouco mais de clareza a respeito da lógica. "Aparentemente a magnitude vai além de qualquer coisa que tenhamos visto, especialmente considerando as várias empresas de tecnologia que cobrimos."

Tropeços financeiros são raros no Facebook. A última vez que a empresa não cumpriu as estimativas de receita foi no primeiro trimestre de 2015. Mas os resultados se dão após um período em que os problemas de privacidade passaram por forte escrutínio e depois de o CEO Mark Zuckerberg comparecer ao Congresso dos EUA para falar durante horas sobre os erros da empresa.

O trimestre foi marcado também pela implementação de novas e rígidas leis sobre dados da Europa, que segundo o Facebook resultaram em um número menor de visitantes na região. A empresa foi bombardeada por críticas públicas sobre suas políticas de conteúdo, especialmente em países como Myanmar e Sri Lanka, onde a desinformação levou à violência.

E continuou sofrendo as consequências das investigações a respeito da manipulação russa na plataforma durante a eleição presidencial dos EUA, em 2016.

Todos esses problemas chegam em meio a uma dura realidade para a empresa: o Facebook, uma rede social com 2,23 bilhões de usuários ativos por mês, não pode crescer para sempre. "A plataforma principal do Facebook está em declínio", disse Brian Wieser, analista da Pivotal Research Group.

O Facebook informou que teve 1,47 bilhão de usuários diários ativos em junho, contra uma média de 1,48 bilhão obtida com estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

A base de usuários da empresa se manteve estática em seu maior mercado, EUA e Canadá, com 185 milhões de usuários diários, e caiu 1% na Europa, para 279 milhões de usuários diários. No geral, os usuários médios diários aumentaram 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita aumentou 42%, para US$ 13,2 bilhões no trimestre. Os analistas projetavam US$ 13,3 bilhões. A rede social ainda possui um dos conjuntos de dados mais valiosos do mundo sobre o interesse das pessoas e torna esse público-alvo facilmente disponível para os anunciantes.

A empresa permanece em uma posição dominante na publicidade móvel, juntamente com o Google, da Alphabet.

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