PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Ex-trader consegue rara ordem do Reino Unido contra extradição

Jeremy Hodges

31/07/2018 12h25

(Bloomberg) -- Stuart Scott, o ex-chefe de operações cambiais do HSBC Holdings, venceu uma batalha de última hora para impedir sua extradição para os EUA, onde enfrentaria acusações de fraude eletrônica.

Scott foi acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA em julho de 2016, juntamente com o ex-chefe Mark Johnson, pelo uso de informações privilegiadas para realizar uma operação cambial de US$ 3,5 bilhões da Cairn Energy em 2011 que gerou lucro de US$ 8 milhões para o banco. Um juiz de Londres ordenou sua extradição em outubro.

Os juízes do Tribunal de Apelações do Reino Unido decidiram nesta terça-feira que "a maior parte dos danos ocorreu" no Reino Unido e que Scott tem forte ligação com seu país de origem. A "extradição [de Scott] não é do interesse da Justiça e o apelo deve ser acatado".

Anne Davies, advogada de Scott, disse que o cliente está satisfeito com a decisão, mas que o governo dos EUA indicou que recorreria da decisão. Scott entrou com recurso por quatro motivos e ganhou em um, segundo o julgamento. Um porta-voz do Crown Prosecution Service, o Ministério Público britânico, não comentou imediatamente a decisão.

Johnson foi considerado culpado por um júri de Nova York no ano passado e condenado a dois anos de prisão, tornando-se a primeira pessoa condenada em uma ofensiva global à manipulação cambial. Johnson foi preso no Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, em 2016, antes que pudesse voltar para o Reino Unido, e Scott ficou em liberdade em sua casa, no subúrbio de Londres.

'Incomum'

Os críticos do tratado de extradição entre os EUA e o Reino Unido há muito se queixam de que a relação é desequilibrada, mas o recurso de Scott é o segundo neste ano perdido pelos EUA. Em fevereiro, Lauri Love, um ativista da informática britânico acusado de invadir computadores do governo americano e de roubar dados, ganhou um recurso contra a extradição porque um juiz do Supremo Tribunal decidiu que ele não deveria ser julgado no exterior.

"Não encaro isso como uma redefinição do relacionamento com os EUA, mas após duas vitórias tão destacadas contra extradições dos EUA nos últimos seis meses, a situação certamente começa a mudar", disse Thomas Garner, um advogado de Londres especialista em extradições, sem envolvimento com o caso. "Isso talvez esteja se tornando menos inevitável."

Em audiência anterior, Scott disse que foi entrevistado por advogados externos do HSBC três vezes em 2014 como parte de uma investigação interna sobre práticas cambiais. Órgãos reguladores de todo o mundo começaram a investigar o setor em 2013 quando a Bloomberg News noticiou que havia traders conspirando para manipular as taxas de câmbio de referência e lucrar à custa dos clientes.

Scott também foi entrevistado pelo Departamento de Justiça naquele ano. Sete bancos pagaram cerca de US$ 10 bilhões em multas às autoridades do Reino Unido, dos EUA e da Suíça por faltas ocorridas em 2014 e 2015.