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Caos do mercado emergente adia IPO em NY de gigante do abacate

John Quigley

21/08/2018 13h21

(Bloomberg) -- A Camposol, maior fornecedora peruana de abacates Hass para os EUA, está aprendendo a ser paciente: a turbulência dos mercados emergentes está atrasando seus planos de captar dinheiro.

A companhia, que tem 2.660 hectares de abacateiros no Peru, não está com pressa para estrear na Bolsa de Valores de Nova York depois de uma semana em que as commodities ficaram descontroladas e as ações dos países em desenvolvimento enveredaram para um bear market, disse o diretor financeiro Andrés Colichón.

"A cada dia que passa, o mercado parece estar mais turbulento", disse Colichón em entrevista em Lima. "Não estamos com pressa. Este é um acontecimento único para uma empresa, por isso vamos esperar o momento certo."

A Camposol planeja captar pelo menos de US$ 300 milhões a US$ 400 milhões vendendo ações em Nova York e Lima, o que encerraria a seca de quase seis anos sem ofertas públicas iniciais na capital peruana. A empresa apresentou suas intenções para a IPO aos EUA no ano passado e informou em fevereiro que estava aguardando que a volatilidade do mercado diminuísse antes de prosseguir. Desde então, os mercados só ficaram mais tórridos.

Mas os mercados de ações não são o único problema. Em maio, a Camposol encerrou uma oferta pública de compra de US$ 147 milhões em notas promissórias com vencimento em 2021 devido às oscilações do mercado. No entanto, nenhum dos atrasos forçará a empresa a suspender os planos de expansão, porque a receita de novos plantios está aumentando.

"Não estamos sob pressão para fazer isso, então vamos rever a situação de acordo com nosso plano de investimento", disse Colichón. "Agora não há mercado" para a dívida.

A empresa planeja investir cerca de US$ 130 milhões neste ano para ampliar a produção de abacates e de outras de suas principais culturas - mirtilos, tangerinas e camarões - usando o dinheiro das operações. A companhia planeja continuar investindo nesse ritmo para sustentar um crescimento do Ebitda de cerca de 20 por cento nos próximos anos, disse Colichón.

A venda

As ações e as moedas dos mercados emergentes caíram para seus níveis mais baixos em mais de um ano na semana passada, quando as perspectivas de uma guerra comercial global e a crise da Turquia causaram nervosismo entre os investidores.

Quando os mercados se acalmarem, a oferta de ações será uma combinação de novas ações e patrimônio dos proprietários, a família Dyer Coriat, que concordou em diluir suas participações para aumentar o tamanho da venda e torná-la mais atraente para os investidores. A oferta representará não menos que de 25 por cento a 30 por cento do patrimônio da empresa, disse Colichón.

A Camposol também planeja revigorar a oferta para suas notas com vencimento em 2021 quando as condições melhorarem, usando os lucros de uma venda de cerca de US$ 200 milhões a US$ 250 milhões em novas dívidas, disse Colichón.

A companhia comprou terras no cinturão do café da Colômbia no ano passado para o cultivo de abacate e planeja comprar mais, disse Colichón. Também comprou cerca de 1.000 hectares no Uruguai para o cultivo de tangerinas. No Peru, a empresa possui mais de 20.000 hectares de terras agrícolas, com 6.590 hectares cultivados.

A empresa venderá instrumentos de dívida de curto prazo no mercado local para aumentar seu perfil entre os investidores peruanos e poderia emitir um título local no longo prazo.

(Adiciona o preço do título no oitavo parágrafo.)