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O executivo que ignora investidores para torná-los ricos

Tom Redmond e Takako Taniguchi

27/08/2018 12h36

(Bloomberg) -- Quando Akira Matsumoto fala, os investidores escutam cada palavra com atenção. E isto é o que Matsumoto diz a eles: vocês são menos importantes do que todos os demais.

O diminuto executivo de 71 anos pode fazer isso devido ao seu status no mundo dos negócios no Japão, onde é conhecido por suas duas décadas de sucesso administrando grandes empresas. No grupo de alimentos Calbee, por exemplo, Matsumoto quase dobrou as vendas e multiplicou o lucro operacional por seis em nove anos no cargo. As ações despencaram quando os investidores descobriram que ele estava de saída.

Mas Matsumoto não corresponde a esse amor, pelo menos na aparência. Os donos das ações, diz, vêm em quarto lugar em sua lista de prioridades, depois dos clientes, dos funcionários e da comunidade em geral. Ignorando-os -- e concentrando-se no bem maior da empresa -- ele atende às necessidades deles.

"Os acionistas vêm por último", disse o carismático Matsumoto, em entrevista, em Tóquio. "Isso é realmente o melhor para eles."

A postura parece ir contra toda a tradição do capitalismo dos acionistas. É também uma visão relativamente comum no Japão. Os bilionários empreendedores Kazuo Inamori, fundador da Kyocera, e Shigenobu Nagamori, que criou a Nidec em um galpão ao lado da fazenda da mãe e a transformou em uma empresa de US$ 41 bilhões, manifestaram opiniões semelhantes, talvez porque o sucesso deles como líderes empresariais permita que digam o que outros guardam para si.

Mas no caso de Matsumoto, o sentimento tem raízes nos EUA. Mais especificamente, na Johnson & Johnson, onde Matsumoto trabalhou antes de se juntar à Calbee. A declaração de valores da empresa de saúde também coloca os clientes em primeiro lugar, seguidos dos funcionários, da comunidade e, por último, dos acionistas. "Eu respeito isso e jamais me desviarei disso enquanto viver", disse Matsumoto.

Segundo o executivo, colocar os donos das ações em primeiro lugar sempre gerou problemas para as empresas.

"Pensar apenas nos acionistas é o mesmo que pensar apenas no resultado final, e isso leva a todos os tipos de escândalo", disse. "Se você realmente acredita que os acionistas são importantes, precisa administrar a empresa" no estilo Johnson & Johnson, disse.

É claro que alguns acionistas não ficam muito felizes ao saberem que são os últimos da fila.

"Sempre recebo reclamações", disse Matsumoto. Mas "nunca pedi para os acionistas comprarem ações. Eu digo a eles que essa é a política com a qual opero. Digo que realmente acredito nessa política e que se eles também acreditam, devem comprar ações. Se não gostarem, que vendam."

Ainda assim, muitos investidores não têm nenhum problema com os métodos de Matsumoto.

"O histórico dele merece aclamação", disse Mitsushige Akino, executivo sênior da Ichiyoshi Asset Management em Tóquio. "Não me importo de ele deixar os acionistas por último e não em primeiro lugar. Se ele consegue resultados, isso já significa colocar os acionistas em primeiro lugar."

Repórteres da matéria original: Tom Redmond em Tóquio, tredmond3@bloomberg.net;Takako Taniguchi em Tóquio, ttaniguchi4@bloomberg.net