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Nike decide enfrentar reações e contrata Colin Kaepernick

Bruce Einhorn

04/09/2018 12h06

(Bloomberg) -- As reações começaram horas depois de Colin Kaepernick, o ex-quarterback do San Francisco 49ers que gerou polêmica por se ajoelhar durante a execução do hino nacional dos EUA, tuitar que estrelará a emblemática campanha publicitária "Just Do It" da Nike.

Após o anúncio, as hashtags #BoycottNike e #JustBurnIt viraram tendência no Twitter. Alguns consumidores furiosos inclusive postaram fotos e vídeos queimando tênis e outros equipamentos da Nike para protestar contra o fato de a empresa usar uma figura divisiva na campanha publicitária de seu 30º aniversário.

As reações não surpreendem, mas a Nike pode estar apostando que vale a pena irritar americanos conservadores e apoiadores do presidente Donald Trump e patrocinar o jogador. Kaepernick -- que iniciou um movimento entre os atletas profissionais quando começou a se ajoelhar, em 2016, durante a execução do hino dos EUA em protesto contra a brutalidade policial contra afro-americanos -- está envolvido em uma ação judicial contra a Liga Nacional de Futebol Americano, que ele acusa de bani-lo do esporte.

Atleta popular

Ainda assim, como o ex-jogador de futebol americano do 49ers é um dos mais populares dos EUA, é provável que a gigante dos calçados esteja apostando no esfriamento dos ânimos.

"O relacionamento de longo prazo e o contrato benéfico para ambas as partes nos próximos 10 anos provavelmente compensarão qualquer controvérsia atual", disse Chen Grazutis, analista da Bloomberg Intelligence.

Kaepernick tuitou uma imagem da campanha com a legenda "Believe in something. Even if it means sacrificing everything" ("Acredite em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo").

A Nike trava uma batalha feroz com a rival Adidas para contratação de estrelas do esporte. O gasto combinado de marketing das duas empresas poderá chegar a US$ 10 bilhões até o ano fiscal 2020.

Além disso, a Nike tem mostrado disposição para entrar na guerra cultural dos EUA. Algumas semanas após a posse de Trump, no ano passado, a empresa lançou uma forte campanha chamada "Equality" ("Igualdade"), estrelada por LeBron James e Serena Williams. Entre os embaixadores da campanha estavam Ibtihaj Muhammad, uma esgrimista muçulmana americana que usa hijab nas competições, e o triatleta transgênero Chris Mosier.

Apesar das críticas de Trump e dos pedidos de boicote de conservadores e liberais à liga, a NFL ainda levanta bilhões de dólares. Liga esportiva mais rica do mundo, a NFL distribuiu um recorde de US$ 8,1 bilhões para suas equipes na temporada passada e registrou uma receita global estimada de US$ 14 bilhões.

Existe o risco de a Nike perturbar o relacionamento com a NFL, que saiu derrotada na semana passada ao tentar derrubar a ação judicial na qual Kaepernick acusa a liga de conluio para impedi-lo de assinar contrato com as equipes.

Mas a liga aprovou um novo contrato de 10 anos em maio que transformará Nike e Fanatics nas principais fornecedoras de vestuário para equipes e torcedores. Até 2020, a Nike continuará fabricando todo o vestuário de campo da NFL e todos os equipamentos para fãs adultos terão o logotipo da Nike, mas serão produzidos e distribuídos pela Fanatics. Antes desse acordo, a Nike vinha fazendo tudo.

--Com a colaboração de Kristine Servando.

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