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Preferência pela comida caseira afeta setor de fast food nos EUA

Leslie Patton

11/09/2018 13h52

(Bloomberg) -- A comida caseira estaria voltando à moda se alguma vez tivesse saído de moda.

Os restaurantes nos EUA estão sendo abalados pela conveniência da Netflix, pela chegada das refeições prontas, pela difusão da entrega de compras pela internet, por uma dívida estudantil esmagadora e pelo foco na alimentação saudável. Oitenta e dois por cento das refeições nos EUA são preparadas em casa - mais que há 10 anos, segundo a empresa de pesquisa NPD Group. O último pico de visitas a restaurantes foi em 2000, quando o americano médio saiu para jantar 216 vezes por ano. Esse número caiu para 185 no período de 12 meses encerrado em fevereiro, afirmou a NPD.

Não se deixe enganar pelas matérias sobre uma alta nas vendas dos restaurantes nos EUA em grandes redes como o McDonald's. Os aumentos foram impulsionados por altas de preços, não por um maior número de clientes. O número de clientes do setor caiu 1,1 por cento em julho, 29° mês consecutivo de declínios, segundo dados da MillerPulse.

"É contraintuitivo, porque você vê muitas coisas na imprensa sobre uma alta nas vendas dos restaurantes", disse David Portalatin, assessor do setor de alimentação na NPD. "Os EUA ainda cozinham em casa."

Custos em alta

A mudança está afetando o setor de fast food. Os restaurantes já lidam com uma alta nos custos de mão de obra e dos aluguéis que eles estão passando para os clientes, o que por sua vez torna mais econômico cozinhar em casa. O McDonald's, a Jack in the Box, a Shake Shack e a Wendy's subiram seus preços nos últimos 12 meses.

Para o McDonald's, a maior rede de alimentos do mundo, a menor quantidade de clientes nos EUA é compensada pelos números crescentes no restante do planeta, resultando em uma queda de 0,3 por cento na contagem global de visitantes no segundo trimestre, afirmou a vendedora de hambúrguer em julho.

Kits de refeições, entregas e novos eletrodomésticos como o Instapot, que prepara diversos alimentos, também tornam mais fácil ficar em casa. A rede de supermercados com descontos Aldi anunciou recentemente que oferecerá mais opções "para viagem", como uma salada com sete grãos, homus e bolachas por US$ 3,49.

As fabricantes de kits de refeição têm tido diversos graus de sucesso. O campo é liderado pela HelloFresh e pela Blue Apron Holdings. A segunda vem tendo dificuldades para avançar desde que abriu seu capital no ano passado. Em maio, a Kroger comprou a Home Chef, e o Walmart acaba de fechar parceria com a Gobble para vender pacotes de jantar prontos em 15 minutos.

"Dez anos atrás, você tinha que picar a cebola", disse a analista da Bloomberg Intelligence Jennifer Bartashus. "Hoje, você pode ir a qualquer mercado e a maioria vende frutas e verduras picadas. Se o principal motivo para jantar fora de casa era simplesmente a conveniência, esse problema agora está sendo resolvido por uma variedade de produtos e serviços."

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