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Projeção otimista da Boeing para China bate de frente com Trump

Bloomberg News

11/09/2018 14h39Atualizada em 11/09/2018 16h53

(Bloomberg) -- A Boeing apresentou uma projeção otimista para a China, um mercado de aviação que em breve deverá se tornar o maior do mundo. A fabricante de aviões também precisa superar a guerra comercial retaliatória que o presidente dos EUA, Donald Trump, está intensificando.

O país precisará de 7.690 novos aviões avaliados em US$ 1,2 trilhão nas próximas duas décadas, informou a fabricante de aviões com sede em Chicago nesta terça-feira, em Pequim. Trata-se de um aumento de 6% em relação às projeções da empresa de um ano atrás, porque a classe média chinesa continua crescendo e procurando viagens aéreas, segundo Randy Tinseth, vice-presidente de marketing da Boeing.

"O futuro da aviação comercial na China é muito empolgante", disse ele, em comunicado.

Mas essa perspectiva pode ser ameaçada se Trump materializar a proposta de aplicar tarifas a mais US$ 267 bilhões em exportações chinesas, além dos US$ 200 bilhões em itens que seu governo está finalizando e dos US$ 50 bilhões já englobados. Isso cobriria basicamente tudo o que a China exporta e poderia gerar retaliações de Pequim, o que poderia envolver os aviões de passageiros da Boeing -- que foram incluídos nas listas de alvos das tarifas até o momento.

A economia asiática de US$ 12,2 trilhões, a maior fonte mundial de viajantes ao exterior, é um mercado crucial para Boeing e Airbus porque as empresas aéreas da parte continental do país estão expandindo sua capacidade e adicionando novos destinos em todo o mundo. O país respondeu por cerca de 13% da receita da Boeing no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Na batalha pelo domínio desse mercado, que, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo, pode superar os EUA e se tornar o número 1 em cerca de quatro anos, a empresa americana conseguiu manter a liderança em relação à rival europeia.

Apesar de a China ter afirmado que seria forçada a retaliar todas as medidas tarifárias dos EUA, não está claro se o presidente Xi Jinping incluiria os aviões de passageiros na lista de alvos americanos. Os EUA importaram US$ 505 bilhões em produtos chineses em 2017, mostram dados do Escritório do Censo americano.

Em um tiro de alerta, em abril, a China havia proposto uma tarifa extra de 25% sobre uma geração mais antiga de modelos do Boeing 737 cuja linha de produção estava se aproximando do fim, mas ainda não concretizou a proposta.

No salão aéreo de Farnborough, em julho, o CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, e o chefe de aeronaves comerciais da Airbus, Guillaume Faury, disseram que o setor aeroespacial prospera com base no livre comércio e que ninguém sai vencedor de uma guerra assim.

Em sua projeção, nesta terça-feira, a Boeing afirmou que a China precisaria de 5.730 aviões de corredor único, o que equivaleria a 75% do total de novas entregas durante as próximas duas décadas. O país precisaria de 1.620 aeronaves de fuselagem larga, ou triplicar o tamanho da frota atual do país, informou. Atualmente, a China conta com 15% da frota de aviões comerciais do mundo, fatia que deverá se expandir para 18% até 2037, informou a Boeing.

--Com a colaboração de Yan Zhang.

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