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Imunidade dos países ricos a problemas emergentes está em xeque

Lilian Karunungan

12/09/2018 14h35

(Bloomberg) -- Com as perdas nos ativos da Turquia e Argentina se espalhando para outras economias emergentes, mais gente está questionando se os mercados nos países desenvolvidos vão conseguir manter a imunidade.

Na visão do JPMorgan Chase, a vulnerabilidade dos mercados maduros ao contágio depende da resistência da Ásia. No ING Groep, o entendimento é que o aperto monetário em muitas nações emergentes pode eventualmente restringir o crescimento e impactar as economias avançadas.

Os mercados emergentes caíram na preferência do investidor neste ano, diante de preocupações que incluem o aperto da política monetária nos EUA e riscos idiossincráticos, como a situação fiscal da Argentina e os déficits gêmeos da Turquia. Ficou maior o risco de contágio entre economias em desenvolvimento, mas o temor de que economias maiores não sejam imunes está se intensificando, disse Rob Carnell, economista-chefe para a Ásia do ING, em Cingapura.

"Uma piora geral nos mercados emergentes pode ser suficiente para pesar sobre os preços dos ativos" em mercados desenvolvidos, acredita Carnell.

E quando esses mercados começarem a derreter, o ouro pode ser uma opção, segundo ele.Excluindo Hong Kong, a maioria dos mercados desenvolvidos está se segurando relativamente bem. O S&P 500 roda perto do recorde após cinco meses consecutivos de retorno positivo. Já o MSCI Emerging Markets Index, que acompanha ações de países em desenvolvimento, caiu mais de 20 por cento desde a máxima atingida em janeiro. No mercado de câmbio, o MSCI Emerging Markets Currency Index recuou cerca de 6 por cento em 2018 e deve registrar a primeira perda anual em três anos.

Com a desvalorização cambial em países emergentes, alguns bancos centrais defendem suas moedas por meio de aumentos nos juros, o que restringe o crescimento, lembrou Carnell, do ING. Embora as crises na Argentina e Turquia tenham começado com problemas internos, o estresse chegou a mercados como a Indonésia porque a mentalidade de manada leva investidores a vender até ativos de nações com fundamentos melhores, ele explicou.

O Banco Central Europeu deve ajustar previsões para o crescimento econômico na zona do euro porque a tensão no comércio internacional está esfriando a demanda externa, de acordo com autoridades com conhecimento das últimas estimativas. Reino Unido e Turquia estão entre os países com demanda prejudicada, mas a perspectiva para os EUA permanece favorável, segundo essas fontes.

Para o JPMorgan, o efeito de uma piora severa nos mercados emergentes sobre as economias avançadas depende da Ásia, que até o momento mostra resiliência e é muito mais integrada às economias dos EUA, Japão, Austrália e Nova Zelândia, escreveram em relatório analistas como Daniel Hui e Patrick Locke.

Se o conflito comercial entre EUA e China chegar a ponto de atrapalhar e impactar negativamente as cadeias de suprimentos, a Ásia e países desenvolvidos ficarão mais vulneráveis, de acordo com os analistas.

"A Ásia é gigante no jogo global", disse Carnell, do ING. "Tirando a Ásia, o crescimento econômico global não fica muito forte."

Para o Bank of New York Mellon, o descolamento dos mercados desenvolvidos das preocupações nos emergentes se manterá se as tendências positivas de crescimento nos EUA e lucros robustos se sustentarem, escreveu o estrategista sênior de mercados globais Marvin Loh, de Boston, em relatório a clientes.

"Vamos descobrir se esses lucros são fortes mesmo se a guerra comercial continuar", disse Carnell. "Os preços dos ativos em mercados desenvolvidos ainda estão incrivelmente altos. Em algum momento, é de se esperar uma correção."

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