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Fundo de capital de risco é o maior liderado por um negro

Lizette Chapman e Ellen Huet

17/09/2018 15h22

(Bloomberg) -- Adeyemi Ajao aprende rápido. Conhecido como Ade, de 36 anos, ele transformou um grupo de amigos em uma equipe de produto do Tuenti, a resposta da Espanha ao Facebook, depois levantou recursos e ajudou a conduzir a startup rumo a uma aquisição por US$ 100 milhões. Ele apostou o dinheiro em uma carreira no ramo de investimentos, orientando empresas como Instacart e Dollar Shave Club, enquanto cursava um MBA em Stanford.

No entanto, para o imigrante espanhol, aprender a ser negro nos EUA tem sido mais complicado.

"Este país tem o histórico de tratar as pessoas de maneira diferente e isso gera algumas cicatrizes", disse Ajao, que foi criado pela mãe espanhola e pelo pai nigeriano na Espanha.

Agora, após levantar US$ 137 milhões para a Base10 Partners, ele reuniu o maior fundo do tipo para uma empresa de capital de risco liderada por um negro. Isto ocorre em um momento em que a falta de diversidade racial no setor, predominantemente branco, é questionada em meio a um debate nacional mais amplo a respeito de raças e privilégios.

Em 2016, última vez em que publicou os números, a Associação Nacional de Capital de Risco dos EUA não conseguiu encontrar um único parceiro de investimento negro em uma amostra de 2.500 funcionários do setor de capital de risco. O grupo descobriu também que apenas 2 por cento de todos os profissionais de investimento eram negros, enquanto os profissionais de investimento brancos e asiáticos representavam 97 por cento.

"Somos investidores em mais de uma dezena de fundos administrados por não brancos. É dolorosamente óbvio o quanto demora para que eles, independentemente do histórico, levantem muito dinheiro", disse Freada Kapor Klein, uma investidora em empresas de capital de risco e copresidente do Kapor Center. "É essa questão de ser financiado pelo potencial, em vez de ter que provar a si mesmo."

Ajao, que usou seu histórico como investidor anjo para conquistar investidores em fundos, se uniu ao fundador e investidor em startups TJ Nahigian. A dupla planeja apoiar startups de tecnologia em estágio inicial com o objetivo de revolucionar setores consolidados. A empresa com sede em São Francisco fechou pelo menos nove acordos até o momento, investindo US$ 500.000 a US$ 5 milhões em empresas relacionadas ao transporte, como a startup brasileira de bicicletas e patinetes Yellow Soluções de Mobilidade, e outras que buscam reformular os ramos de recursos humanos e de contratações, como Wonolo e Reflektive.

O objetivo global é disponibilizar novas tecnologias para um leque maior de clientes. "Queremos resolver problemas para 99 por cento das pessoas", disse Ajao.

Ao contrário da Backstage Capital -- cujo alvo são startups lideradas por fundadoras mulheres, não brancas e LGBT --, a Base10 não se concentrará em um grupo específico de fundadores. E diferentemente do Cultural Leadership Fund, da Andreessen Horowitz, a Base10 não parece estar recorrendo ao apelo à diversidade em seus materiais de marketing. O fundo de US$ 15 milhões anunciado pela Andreessen no mês passado doa uma pequena parte dos retornos totais a organizações sem fins lucrativos que trabalham para aumentar o número de minorias no setor de tecnologia e recrutou celebridades e influenciadores negros para participar (pessoas de quem a empresa gostaria de se aproximar, de todo modo).