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Contra poluição, China compra mais pelota e granulado de ferro

Krystal Chia

19/09/2018 16h02

(Bloomberg) -- O mercado global de minério de ferro está se partindo em pedaços e a forma importa mais do que nunca. Além da demanda por maior qualidade ? que redefiniu os padrões de preço ? e a rejeição de impurezas que prejudicam a eficiência, as usinas agora pagam mais por matéria-prima na forma de granulado e pelota.

"A questão não é o teor do produto", afirmou um relatório recente da Macquarie Wealth Management que destacou o crescente interesse dos investidores pela tendência. "A forma também é muito importante. O prêmio pago agora por granulado e pelota sobre refinados está batendo recordes."

O novo foco em forma é a última manifestação de um mercado em transformação, com consequências para mineradoras no Brasil e Austrália e para usuários, especialmente na China. O maior interesse por minério de alta qualidade provocou a disparada dos spreads. O principal fator por trás da maior demanda por granulado é o empenho do governo chinês em limitar o excesso de capacidade no setor siderúrgico e combater a poluição. O minério granulado não precisa de sinterização (o processo que junta grãos finos e gera poluição), pode ser colocado direto no forno e é mais eficiente.

"Em um ambiente focado em produtividade, as siderúrgicas usam minério de ferro com especificações químicas e físicas superiores", afirmou Alex Griffiths, analista sênior de pesquisa da Wood Mackenzie. "Granulados e pelotas geralmente têm especificações químicas mais elevadas do que os refinados. Além disso, granulados e pelotas mantêm a forma por mais tempo sob temperaturas e pressões mais altas."

O minério de ferro geralmente é negociado de três maneiras, segundo a Macquarie Wealth Management. O mais comum é o refinado, que parece areia grossa e exige sinterização ou pelotização antes do uso, segundo a gestora. Granulados são pequenos pedaços de minério, enquanto pelotas são formadas por produto refinado transformado, ficando com o aspecto do chocolate M&M.

Com as usinas chinesas comprando granulados e pelotas do exterior, a brasileira Vale se sobressai. A mineradora produziu quantidade recorde de pelotas no segundo trimestre e espera se beneficiar da melhora dos prêmios pagos por pelotas neste ano, de acordo com um relatório de produção.

No mercado de granulados, a vantagem é das australianas Rio Tinto Group e BHP Billiton. A Rio Tinto afirma ter se beneficiado dos "fortes prêmios por granulados" no primeiro semestre e as vendas do produto bateram recorde no segundo trimestre. O relatório anual da BHP afirma que, no projeto South Flank, que está sendo finalizado para substituir a mina Yandi, a parcela de granulados aumentará de 25 por cento para 35 por cento.

A China vem intensificando a campanha contra a poluição do ar por meio de restrições à produção de aço e outras atividades industriais, especialmente no inverno. Neste ano, as autoridades expandiram a área sujeita a controles. Analistas estimam que mais da metade da capacidade de produção de aço do país será afetada. Na temporada passada, o impacto estimado foi sobre um terço da capacidade.

A campanha afeta o mercado de granulados de duas maneiras complementares. As restrições elevam o preço do aço ? aumentando a lucratividade das usinas e o incentivo para uso de granulados ? e diminuem as operações de sinterização e pelotização.

Griffiths, analista da WoodMac, ressaltou que as inspeções na província de Shanxi reduziram em um quinto a oferta local de pelotas, elevando o valor da carga importada.

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