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Brasil quer mais cacau da Costa do Marfim após lote da Cargill

Isis Almeida

20/09/2018 12h57

(Bloomberg) -- O Brasil busca mais importações de cacau da maior produtora do mundo, a Costa do Marfim, após o envio do primeiro lote desde 2012 pela Cargill.

O Brasil provavelmente importará mais 10.000 toneladas de sementes marfinenses até o fim de 2018 após receber 15.000 toneladas até esta altura do ano, segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC). A empresa americana do agronegócio Cargill recebeu o primeiro carregamento em julho, disse Laerte Moraes, diretor-gerente da unidade de cacau no Brasil, sem revelar o volume.

O país interrompeu a importação de cacau da Costa do Marfim após encontrar insetos em carregamentos, em 2012, o que gerou preocupações fitossanitárias. A reabertura do mercado representará um alívio para as processadoras da maior economia da América Latina, que têm recorrido às sementes mais caras de Gana, a segunda maior produtora do mundo, para suprir o déficit de produção.

"Nos últimos anos, a produção de sementes de cacau no Brasil tem sido insuficiente para atender à crescente demanda da indústria local de processamento de cacau", disse Moraes. O volume importado "depende do tamanho da safra brasileira de cacau", disse.

As processadoras de cacau do Brasil estão renegociando contratos para garantir sementes da Costa do Marfim em vez da matéria-prima mais cara de Gana, disse Eduardo Bastos, diretor-executivo da AIPC, por telefone, na quarta-feira. A produção brasileira deste ano é estimada em 180.000 toneladas, cerca de 50.000 toneladas abaixo da demanda para moagem, disse, acrescentando que a importação total provavelmente será de 60.000 toneladas para garantir um pouco de estoque.

A projeção de importação dependerá da safra da Costa do Marfim, que parece estar atrasada, disse Bastos. Os cacaueiros do país da África Ocidental ainda têm poucas vagens, mas muitas flores, disse, após uma viagem de campo recente. Há também preocupação com o excesso de chuva e com doenças, disse.

A importação de cacau da Costa do Marfim em vez de Gana gera uma economia de US$ 100 por tonelada para as processadoras brasileiras, segundo a AIPC. O grupo espera uma safra doméstica melhor no ano que vem, de 200.000 toneladas, mas ainda assim será necessário importar para atender à demanda, disse Bastos. A Cargill afirmou que pretende comprar grãos de produtores rurais locais quando possível.

Os futuros do cacau negociados em Londres subiram 13 por cento neste ano após dois declínios anuais seguidos devido à especulação de que os preços mais baixos pagos aos produtores rurais na África Ocidental reduzirão o incentivo para a produção em meio a uma demanda ainda forte.