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Guerra comercial converte mercado mundial de soja em carrossel

Isis Almeida

21/09/2018 11h33

(Bloomberg) -- A guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, com a China está transformando o mercado global da soja em um carrossel.

Como as exportações brasileiras estão diminuindo nesta época do ano, os traders estão tendo que ser criativos para abastecer o maior comprador do mundo. Uma estratégia é levar a soja americana para a Argentina e enviar a produção do país sul-americano para a China, evitando assim a tarifa de 25 por cento que o país asiático deve pagar pelo produto americano.

Três navios estão programados para carregar soja argentina com destino à China depois que uma remessa partiu no início deste mês, segundo dados da Agencia Marítima Nabsa. Embora a Argentina normalmente envie parte de sua produção para a China, os traders não esperavam nenhuma exportação nesta época do ano por causa de uma seca que reduziu as colheitas.

"A Argentina está comprando grãos dos EUA para o mercado doméstico e exportando sua própria produção para a China", disse Matt Ammermann, gerente de risco de commodities da corretora de futuros e opções INTL FCStone, por telefone.

Os navios Rosco Banyan, Sunshine Bliss e Seacon 9 deverão carregar um total de 167.740 toneladas de soja argentina de 23 de setembro a 1º de outubro, segundo dados da Nabsa. Um navio partiu no início deste mês transportando 36.119 toneladas de soja argentina e um pouco da oferta uruguaia.

A Argentina normalmente produz mais soja do que a que consome, deixando de 8 milhões a 9 milhões de toneladas para os mercados de exportação. Mas neste ano uma seca reduziu a produção em 31 por cento, obrigando as esmagadoras do país a importar. Os traders dos EUA venderam 840.000 toneladas de soja para a Argentina na semana encerrada em 13 de setembro, contra zero no mesmo período do ano passado, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

Há uma "boa margem" para importar soja dos EUA para esmagar na Argentina, disse Ammermann.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), do Brasil, afirmou no início deste ano que o país poderia acabar importando até 1 milhão de toneladas de soja dos EUA como resultado da guerra comercial.

--Com a colaboração de Tatiana Freitas.

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